O governo da Jordânia convocou uma reunião de emergência para discutir o que considera violações graves do tratado de paz com Israel, alertando que o complexo da Mesquita Al-Aqsa, um dos locais mais sagrados do Islã, está prestes a ser tomado por Israel. A informação foi divulgada pelo jornal jordaniano Al-Ghad, que teve acesso a documentos oficiais.
Contexto do alerta jordaniano
Segundo o jornal, a Jordânia acusa Israel de intensificar as incursões no local, especialmente durante os feriados religiosos judaicos de setembro, que coincidem com o período pré-eleitoral israelense. As eleições em Israel estão marcadas para outubro, e o governo jordaniano teme que o governo israelense tente mudar o status quo do local para ganhar apoio político interno.
O complexo da Mesquita Al-Aqsa, também conhecido pelos judeus como Monte do Templo, é administrado pela Jordânia desde 1994, conforme o tratado de paz entre os dois países. No entanto, nos últimos anos, Israel tem permitido visitas de judeus ao local, o que é visto pela Jordânia como uma violação do acordo.
Reunião de emergência e medidas
O ministro das Relações Exteriores da Jordânia, Ayman Safadi, convocou uma reunião de emergência com embaixadores e representantes de países árabes e muçulmanos para discutir a situação. Na reunião, Safadi afirmou que a Jordânia está disposta a tomar medidas legais e diplomáticas para proteger o local, incluindo recorrer ao Conselho de Segurança da ONU.
"A Jordânia não permitirá que Israel mude o status quo em Al-Aqsa, que é um local sagrado para os muçulmanos e um símbolo da identidade palestina", disse Safadi, segundo o jornal. "Estamos diante de uma escalada perigosa que pode levar a um confronto religioso."
Reações e riscos
A Autoridade Palestina também expressou preocupação com a situação, pedindo à comunidade internacional que intervenha. O Hamas, que controla a Faixa de Gaza, ameaçou responder com violência se Israel continuar com as provocações.
Analistas acreditam que a crise pode se agravar, especialmente porque as eleições israelenses podem levar a um governo mais conservador, que historicamente defende a soberania israelense sobre o local. Por outro lado, a Jordânia enfrenta pressão interna de grupos islâmicos que criticam o tratado de paz com Israel.
Impacto no processo de paz
O conflito em Al-Aqsa tem potencial para desestabilizar toda a região, uma vez que o local é um dos principais pontos de tensão entre israelenses e palestinos. A Jordânia, como guardiã do local, desempenha um papel crucial na mediação, mas sua influência pode ser minada se Israel continuar ignorando o acordo.
Em 2023, mais de 200 palestinos foram feridos em confrontos com a polícia israelense dentro do complexo, segundo dados da ONU. A situação atual, com os feriados de setembro se aproximando, aumenta o risco de novos confrontos.
Próximos passos
A Jordânia planeja apresentar um relatório detalhado sobre as violações ao Conselho de Segurança da ONU e pedir uma reunião de emergência. O país também está em contato com a Liga Árabe e a Organização para a Cooperação Islâmica para coordenar uma resposta conjunta.
Enquanto isso, a comunidade internacional observa com atenção, temendo que a crise em Al-Aqsa possa eclipsar outros esforços de paz na região. A situação é particularmente delicada porque qualquer ação unilateral de Israel pode ser vista como uma provocação, não apenas pela Jordânia, mas por todo o mundo islâmico.



