Morgan vê alívio para ações do Brasil após Fed, mas aponta que “limbo” não acabou
Morgan vê alívio para ações BR após Fed, mas limbo persiste

O Morgan Stanley divulgou nota nesta quinta-feira afirmando que o ambiente para ações brasileiras melhorou após a decisão do Federal Reserve (Fed) de cortar os juros, mas alertou que o mercado ainda está em um “limbo” que pode persistir. Segundo o banco, o alívio veio da sinalização de que o ciclo de aperto monetário nos EUA terminou, o que reduz a pressão sobre emergentes como o Brasil.

Impacto imediato do Fed

O banco destaca que o corte de 0,25 ponto porcentual na taxa básica americana, anunciado na quarta-feira, foi bem recebido por investidores, levando a uma alta nos índices de Wall Street e à valorização do real. No Brasil, o Ibovespa subiu mais de 1% na abertura, puxado por ações de empresas exportadoras e de commodities. “O movimento do Fed tira um peso do cenário global, mas não resolve os problemas domésticos”, escreveu o estrategista-chefe para América Latina, em relatório.

“Limbo” fiscal e político

Apesar do otimismo inicial, o Morgan ressalta que o Brasil continua preso a um “limbo” causado pela incerteza fiscal e pelo calendário eleitoral. O banco aponta que a tramitação da reforma tributária no Congresso e as discussões sobre o arcabouço fiscal geram volatilidade. “O mercado aguarda definições sobre o novo regime fiscal, e isso mantém os investidores cautelosos”, diz a nota. Além disso, as eleições de 2026 começam a influenciar as decisões de alocação, com candidatos sinalizando possíveis mudanças nas políticas econômicas.

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Recomendações de investimento

O Morgan Stanley recomenda que investidores mantenham posições seletivas em ações brasileiras, com preferência por setores mais ligados ao mercado interno, como bancos e consumo, que se beneficiam da queda dos juros locais. A Selic, atualmente em 10,5%, deve continuar caindo, segundo projeções do banco. Para o estrangeiro, a exposição ao Brasil deve ser feita com hedge cambial, dada a volatilidade do real. “O curto prazo ainda é incerto, mas o médio prazo oferece oportunidades para quem conseguir navegar pelo limbo”, concluiu o analista.

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