O mercado financeiro registrou movimentos contrastantes nesta quinta-feira, com o salto das ações da Microsoft e o tombo da Meta após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026. Ao mesmo tempo, as taxas do Tesouro IPCA+ subiram até 8,27%, batendo recorde, influenciadas pela decisão do Federal Reserve (Fed). A América Latina ganha apelo como alternativa ao tema de inteligência artificial, com o Brasil se destacando, enquanto o mercado de renda fixa oferece oportunidades.
Resultados do 2T26: Microsoft sobe, Meta cai
A Microsoft surpreendeu o mercado com números fortes no segundo trimestre de 2026, impulsionando suas ações em mais de 5% no pré-mercado. A empresa superou as expectativas de receita e lucro, especialmente na divisão de nuvem Azure, que cresceu 33% ano a ano, superando as estimativas de 30%. Segundo analistas da XP, a companhia demonstra uma “execução impecável” em inteligência artificial, com integração do Copilot em produtos como Office e Azure.
Em contraste, a Meta Platforms, dona do Facebook e Instagram, viu suas ações despencarem mais de 12% após reportar receita abaixo do esperado. A empresa citou custos crescentes com infraestrutura de IA e desaceleração na publicidade digital. “A Meta está gastando muito para competir em IA, mas os retornos ainda não apareceram”, disse Dan Ives, analista da Wedbush Securities, em nota a clientes.
Tesouro IPCA+ atinge recorde histórico
As taxas do Tesouro IPCA+ subiram para até 8,27% ao ano, o maior nível já registrado. O movimento ocorreu após o Fed manter os juros nos Estados Unidos entre 5,25% e 5,50% e sinalizar que não espera cortes tão cedo. No Brasil, a taxa real (descontada a inflação) superou os 6,5%, atraindo investidores estrangeiros. “É um patamar historicamente atrativo para quem busca proteção contra a inflação com alta rentabilidade”, afirmou o estrategista-chefe da XP, Alexandre Maluf.
O Tesouro Direto registrou forte demanda por títulos indexados ao IPCA, com vendas diárias superando R$ 500 milhões. As NTN-B principais e os papéis com juros semestrais lideraram as negociações.
América Latina como alternativa em IA
Com a desaceleração da China e a competição acirrada nos EUA, a América Latina emerge como uma “opção” para investimentos em inteligência artificial. O Brasil se destaca, com empresas como o Itaú Unibanco e a Totvs investindo em soluções de IA, além de startups como a Nuvemshop. Segundo relatório da consultoria McKinsey, a região pode agregar US$ 0,5 trilhão ao PIB até 2030 com adoção de IA.
“O Brasil tem talento técnico, um mercado doméstico grande e um ambiente regulatório favorável para IA”, apontou a analista de tecnologia do Bradesco BBI, Aline Santos. Os fundos de venture capital já direcionaram US$ 2,3 bilhões para startups de IA na América Latina neste ano, 40% a mais que em 2025.
FIIs de papel rendem até 17% em um ano
Os fundos imobiliários de “papel”, investidos em títulos de crédito imobiliário (CRI), tiveram retorno médio de 17% nos últimos 12 meses, segundo dados da Quantum. O índice IFIX, que reúne os principais FIIs, subiu 8,5% no período, impulsionado pela alta dos juros reais. “A Selic em 13,75% ao ano torna os CRIs ainda mais atrativos, mas investidores devem ficar atentos ao risco de crédito”, alertou a especialista em FIIs da Suno Research, Tatiana Itzcovich.
Bradesco eleva capital em R$ 10 bilhões
O Bradesco anunciou uma oferta de ações para elevar seu capital em R$ 10 bilhões, com o objetivo de financiar a expansão em crédito privado e digitalização. A ação caiu 3% no dia, mas analistas avaliam o movimento como positivo para a saúde de longo prazo do banco. “Eles estão se preparando para crescer de forma sustentável, sem depender de instrumentos híbridos”, explicou o analista de bancos do Credit Suisse, João Soares. A oferta será de até 300 milhões de ações, a preço de mercado.
Desemprego cai a 5,4% e trava corte da Selic
A taxa de desemprego no Brasil caiu a 5,4% em maio, menor nível da série histórica, segundo o IBGE. O mercado de trabalho aquecido amortece o efeito dos juros altos sobre a economia, mas também dificulta a queda da Selic. “A inflação de serviços segue pressionada, e o BC não terá espaço para cortar juros tão cedo”, afirmou o economista-chefe do Banco Original, Marco Caruso. A mediana das expectativas do mercado aponta Selic em 13,75% até pelo menos o fim de 2026.
Governo Central tem déficit primário de R$ 48,18 bilhões
O Tesouro Nacional divulgou que o Governo Central registrou déficit primário de R$ 48,178 bilhões em junho, acima das expectativas. As despesas com Previdência e pessoal cresceram 7% em relação ao mesmo mês de 2025, enquanto a receita líquida avançou apenas 3%. O resultado reforça a necessidade de ajuste fiscal, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que defendeu a aprovação de medidas de aumento de arrecadação.
Petróleo cai com discussões sobre Ormuz
O petróleo Brent recuou 2,3%, cotado a US$ 84,50, com o avanço das negociações sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, apesar dos ataques entre EUA e Irã. Autoridades iranianas sinalizaram que podem permitir a passagem de navios estrangeiros com escolta, o que aliviou temores de interrupção no fornecimento. No entanto, a situação permanece volátil.
Intelbras salta 11% após resultados do 2T26
A Intelbras, fabricante de equipamentos de segurança e energia, viu suas ações dispararem 11% após divulgar lucro líquido de R$ 220 milhões no segundo trimestre, alta de 18% ano a ano. A empresa atribui o crescimento à demanda por sistemas de energia solar e câmeras de segurança. A XP destacou a empresa como “uma das melhores histórias de execução do mercado brasileiro”.



