O Itaú Unibanco (ITUB4) divulga nesta terça-feira (4), após o fechamento do mercado, seus resultados do segundo trimestre de 2026, abrindo a temporada de balanços dos grandes bancos brasileiros. O mercado espera mais um trimestre resiliente, com lucro líquido próximo de R$ 12,5 bilhões e retorno sobre patrimônio (ROE) entre 24% e 25%, de acordo com estimativas de XP, Bank of America, Goldman Sachs e JPMorgan.
Projeções apontam crescimento moderado, mas sólido
A XP projeta lucro líquido de R$ 12,4 bilhões, com alta de 8% na comparação anual e de 1% frente ao trimestre anterior. O resultado deve refletir o crescimento sólido da carteira de crédito, margem financeira alinhada ao guidance e indicadores de qualidade de crédito ainda administráveis. A corretora ressalta que uma geração mais fraca de receitas com tarifas pode limitar parte da expansão, mas esse efeito deve ser compensado por despesas menores e uma alíquota efetiva de imposto mais baixa.
O Bank of America mantém o Itaú como destaque entre os grandes bancos, projetando ROE de 24,3% no trimestre, o mais elevado entre os incumbentes, ainda que espere crescimento mais moderado dos lucros em comparação com períodos anteriores.
Goldman Sachs e JPMorgan veem cenário controlado
O Goldman Sachs espera lucro praticamente estável na comparação trimestral, com avanço de 1%, e alta de 7% ante o mesmo período de 2025. A receita líquida de juros (NII) deve crescer 1% na base trimestral e 3% na anual, sustentada por margens estáveis e expansão da carteira. O banco projeta provisões estáveis e custo de risco sem mudanças relevantes, indicando ambiente saudável para a inadimplência.
O JPMorgan, que mantém o Itaú como principal preferência entre os grandes bancos, estima lucro de R$ 12,6 bilhões e ROE de 25%. A instituição acredita que o crescimento da margem financeira com clientes deve ganhar força apenas no segundo semestre, tornando o cenário de curto prazo mais neutro para receitas. As receitas com tarifas devem ficar próximas da faixa inferior das projeções, refletindo atividade mais fraca em banco de investimento e menores receitas de performance.
Despesas operacionais limitam ganhos de eficiência
Os analistas destacam que o aumento das despesas operacionais deve limitar ganhos adicionais de eficiência. O Goldman Sachs projeta crescimento de 4% dos custos na comparação trimestral e de 3% na anual. Com isso, o ROE deve recuar para 24,3%, ante 24,8% no primeiro trimestre, mas ainda em nível elevado entre os bancos tradicionais.
O JPMorgan também projeta aumento dos custos, mas em ritmo mais moderado do que no segundo trimestre de 2025. A instituição destaca a possibilidade de alíquota efetiva de imposto menor, beneficiada pela TJLP mais elevada, o que ajudaria a preservar o lucro. A inadimplência deve seguir sob controle, sem deterioração relevante dos empréstimos problemáticos, embora casos corporativos possam manter as provisões em níveis elevados.
Preço-alvo elevado para R$ 51
O JPMorgan elevou o preço-alvo para dezembro de 2027 de R$ 50 para R$ 51 por ação, mantendo a recomendação de compra. O banco reforça que o Itaú apresenta a combinação mais consistente entre rentabilidade, qualidade de ativos e resiliência operacional, mesmo em um ambiente de desaceleração da atividade e maior atenção à inadimplência.



