A pouco mais de uma semana da decisão de política monetária do Banco Central, o resultado do IPCA-15 de julho promove um movimento generalizado de queda no mercado futuro de juros na manhã desta terça-feira, 28 de janeiro.
IPCA-15 surpreende com alta de apenas 0,06%
O índice, espécie de prévia do IPCA, teve alta de 0,06%, porcentual que ficou abaixo de todas as estimativas do mercado, que variavam de 0,17% a 0,28%. O resultado dá força a apostas de um BC mais “dovish”, o que se sobrepõe inclusive à influência negativa do dólar nesta manhã, uma vez que a moeda americana sobe ante o real.
Segundo pesquisa da Reuters, as expectativas medianas eram de altas de 0,20% no mês e de 4,67% em 12 meses. O dado veio muito aquém, sinalizando desaceleração inflacionária mais forte que o esperado.
Impacto imediato nos contratos de DI
Às 9h25 desta terça, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 tinha taxa de 13,950%, contra 13,908% do ajuste de segunda-feira (27). O DI para janeiro de 2029 caiu de 14,34% para 14,21%. Na ponta longa, o DI para janeiro de 2030 projetava 14,40%, ante 14,51% do ajuste anterior.
A curva de juros como um todo operava em baixa, refletindo a percepção de que o BC pode adotar postura mais branda na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para os dias 5 e 6 de fevereiro.
Contexto de dólar forte não segura queda
Mesmo com o dólar comercial subindo 0,3% no período, cotado a R$ 5,20, o movimento de baixa nos juros prevaleceu, indicando que o mercado precifica maior probabilidade de corte na Selic ou ao menos manutenção do ritmo de aperto. Analistas apontam que a desinflação mais rápida abre espaço para flexibilização monetária.
O IPCA-15 de julho veio em linha com a tendência de desaceleração observada nos últimos meses, reforçando a tese de que a política monetária contracionista já está surtindo efeito. A expectativa agora se volta para o IPCA cheio de julho e para a decisão do Copom.



