Aílton revela luta contra o peso e histórias da carreira no Werder Bremen
Aílton: luta contra peso e glórias no Werder Bremen

Aílton Gonçalves, um dos atacantes mais improváveis do futebol brasileiro, revelou em entrevista ao ge que pensou em parar de jogar por conta da luta contra a balança. O ex-jogador, que foi campeão e artilheiro da Bundesliga em 2004 pelo Werder Bremen, enfrentou décadas de preconceito por seu peso, mas transformou a crítica em motivação.

Sobrepeso como combustível

“O meu corpo pode ser que transmita que eu esteja gordo, mas é o seguinte, essa é a minha forma física, essa é a minha estrutura corporal. E você está confundindo isso aí com outras coisas. Quer corpo diferente, de atleta em mim? Então você contrata um modelo”, disse Aílton. Ele contou que perdeu oportunidades em diversos mercados por causa da estrutura corporal, inclusive no Besiktas, da Turquia, onde atuou em apenas 18 jogos. “Eu fui bastante criticado na época, porque eles não aceitavam um jogador de futebol com uma estrutura corporal igual a minha, mas acabou se tornando uma motivação enorme para dentro de campo, eu demonstrar quem eu era. Quando eles falavam, eu ficava com mais raiva e demonstrava mais ainda dentro de campo”, afirmou.

O início da carreira

Revelado pelo Estudante de Timbaúba, em Pernambuco, Aílton foi para o Mogi Mirim aos 16 anos. Lá, conviveu com Rivaldo, Valber e Leto no “Carrossel Caipira” que encantou o futebol paulista nos anos 90. Depois, foi artilheiro do Campeonato Gaúcho pelo Ypiranga de Erechim, treinado por Abel Braga no Internacional (fora de posição), e passou pelo Santa Cruz. Foi no Guarani, em Campinas, que reencontrou sua melhor forma como centroavante, fazendo muitos gols no Brasileirão de 1997.

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Passagem pelo México e ida para Alemanha

Antes de desembarcar no Werder Bremen, Aílton jogou seis meses no Tigres, do México, após o rebaixamento do Guarani. A transferência para a Alemanha ocorreu porque o treinador do Bremen “se apaixonou” por ele durante o recesso mexicano. “Eu fui parar no Bremen porque o treinador se apaixonou por mim. Coisa do destino mesmo. Eu acho que Deus fala assim, ó, teu caminho é esse, não importa o tempo, mas tu vai seguir”, explicou.

Auge no Werder Bremen

Foram seis anos no clube, com 106 gols marcados. Aílton recusou propostas de clubes como Parma para permanecer. Na temporada 2003/04, o Werder Bremen conquistou a Bundesliga e a Copa da Alemanha. No confronto direto contra o Bayern de Munique, Aílton prometeu e fez o gol da vitória por 3 a 1. “Quando a gente chegou em Munique, no hotel, a gente se reuniu com os jogadores, pediram para eu falar e eu falei: 'Amanhã eu vou fazer um gol e vou decidir o jogo'. Eu decidi toda a temporada, por que eu não vou decidir amanhã? Então esse gol foi especial porque eu já tinha esse gol antes do jogo”, recordou.

Despedida e carinho da torcida

Após sair do Bremen para o rival Hamburgo, Aílton só percebeu o tamanho do carinho dos torcedores em 2014, quando participou de um jogo de despedida do ex-companheiro Frings. “Quando eu entrei no campo, me anunciaram, o estádio quase cai. A emoção dos torcedores estava ali. Aí a mesma empresa que organizou o jogo me procurou depois, falaram que eu tive mais aplausos do que o próprio jogador que estava se despedindo”, contou. Em sua própria despedida, com mais de 40 mil pessoas no Weser Stadium, ele marcou três gols na vitória do seu time.

Seleção Brasileira e proposta do Catar

Em 2004, Aílton esperava ser convocado por Carlos Alberto Parreira para a Copa América, mas não foi chamado. Recebeu então uma proposta da Federação de Futebol do Catar: se naturalizar e defender o país por 1 milhão de dólares (cerca de R$ 3 milhões na época, quase R$ 9 milhões corrigidos). Aílton aceitou, viajou a Doha e ganhou um Rolex do sheik, mas a Fifa vetou a naturalização por não ter jogado tempo suficiente no Catar.

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Dívida e troféu ameaçado

Três anos depois, um empresário ameaçou leiloar o troféu de artilheiro da Bundesliga de Aílton para quitar uma suposta dívida de comissão de 300 mil euros. Aílton disse que tudo foi um mal-entendido: o empresário, contratado pelo Hamburgo, quis cobrar comissão do jogador. “Ele usou essa má fé. Quando eu fui embora do Hamburgo, publicou uma nota dizendo que eu estava devendo, algo que não era verdade”, explicou. A Justiça decidiu que a peça não poderia ser vendida, e o empresário desapareceu. Aílton manteve o troféu.

Vida atual

Hoje, Aílton alterna entre Alemanha e Paraíba, é embaixador do Werder Bremen e sonha em agenciar atletas. Recentemente, indicou jovens para o São Caetano. “O futebol segue fazendo parte da minha vida”, finalizou.