O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) registrou uma queda de 0,03% em julho, contrariando as expectativas do mercado, que previam estabilidade ou leve alta. Com esse resultado, a inflação acumulada em 12 meses atingiu 3,60%, bem abaixo do centro da meta do Banco Central, que é de 3,0%. O dado reforça a tendência de desaceleração dos preços e pode influenciar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na próxima reunião, marcada para os dias 4 e 5 de agosto.
Queda generalizada dos preços
Dos sete grupos que compõem o IPC-Fipe, quatro apresentaram queda em julho. O grupo de Transportes foi o principal responsável pela deflação, com recuo de 0,42%, puxado pela queda nos preços dos combustíveis, especialmente a gasolina. Alimentação também caiu 0,28%, influenciada pela safra abundante de alguns produtos agrícolas. Habitação e Despesas Pessoais também registraram variações negativas, de 0,15% e 0,10%, respectivamente.
Por outro lado, os grupos de Saúde, Vestuário e Educação tiveram altas, mas em magnitudes menores. Saúde subiu 0,35%, pressionado pelos reajustes de planos de saúde. Vestuário avançou 0,20%, com a chegada das coleções de inverno, e Educação teve alta de 0,12%, refletindo os reajustes de mensalidades escolares.
Impacto na política monetária
A leitura abaixo do esperado reforça a avaliação de que a inflação está sob controle, abrindo espaço para o Copom cortar a taxa Selic, atualmente em 14% ao ano, na reunião da próxima semana. De acordo com analistas do mercado financeiro, a probabilidade de um corte de 0,5 ponto percentual, para 13,5%, é elevada. No entanto, alguns economistas alertam que o Copom pode optar por um corte menor, de 0,25 ponto, devido às incertezas fiscais e ao cenário externo.
"A queda do IPC-Fipe é um sinal claro de que a inflação está cedendo, mas o Copom deve agir com cautela. A comunicação do Banco Central será crucial para sinalizar os próximos passos", afirma o economista-chefe de uma corretora, que preferiu não ser identificado.
Expectativas para a Selic
A pesquisa Focus, divulgada semanalmente pelo Banco Central, indica que o mercado espera uma Selic de 13,75% ao final de 2025, com cortes graduais ao longo do ano. No entanto, a recente desaceleração da inflação pode antecipar esses cortes. Se o Copom confirmar a redução para 13,5% na próxima reunião, será o primeiro corte desde agosto de 2024, quando a taxa estava em 10,5%.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já sinalizou que o governo vê espaço para queda dos juros, mas ressaltou que a decisão é técnica. "A inflação sob controle é uma boa notícia para a economia. O Copom avaliará os dados com serenidade", disse Haddad em evento recente.
Perspectivas para o restante do ano
A tendência de queda da inflação deve se manter nos próximos meses, impulsionada pela safra recorde de grãos e pela queda nos preços das commodities. No entanto, o cenário externo, com a guerra comercial entre Estados Unidos e China e a desaceleração da economia chinesa, pode gerar pressões pontuais. Além disso, a desvalorização do real frente ao dólar pode encarecer produtos importados.
Especialistas recomendam atenção aos núcleos de inflação, que excluem itens mais voláteis, para avaliar a tendência de médio prazo. O IPCA, índice oficial, será divulgado na próxima semana e deve confirmar a desaceleração.
Repercussão no mercado
O mercado financeiro reagiu positivamente à notícia. O Ibovespa abriu em alta, e o dólar operava em queda. Os juros futuros também recuaram, com investidores precificando maior probabilidade de corte da Selic. "O dado de inflação abaixo do esperado dá mais confiança para o Copom cortar os juros. Isso é positivo para a bolsa e para a renda fixa", comentou um gestor de recursos.
No entanto, alguns analistas alertam que o Banco Central pode adotar uma postura mais conservadora, aguardando a aprovação de medidas fiscais no Congresso. A aprovação da reforma tributária e a votação do Orçamento de 2025 são pontos de atenção.



