O fluxo de investimento estrangeiro direto (IED) no Brasil somou US$46,986 bilhões no primeiro semestre de 2025, alta de cerca de 33% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Banco Central divulgados nesta terça-feira. O resultado foi impulsionado pela entrada de US$9,075 bilhões em junho, valor bem acima dos US$5,0 bilhões projetados por analistas consultados pela Reuters e contra os US$3,068 bilhões registrados em junho de 2024.
Desempenho mensal e projeções revisadas
O desempenho de junho surpreendeu o mercado e reforçou a tendência de recuperação dos investimentos produtivos no país. Em junho, o Banco Central já havia elevado sua projeção de IED para o ano de US$70 bilhões para US$75 bilhões, citando expectativas de que um desempenho mais forte das exportações apoiaria maiores entradas de capital estrangeiro em empresas que operam no Brasil. Apesar da melhora, a projeção anual ainda fica ligeiramente abaixo dos US$78 bilhões registrados em 2024.
Exportações como motor do IED
O Brasil, como exportador de petróleo, tem se beneficiado dos preços mais altos do combustível em meio ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Além disso, as fortes exportações de soja e carne bovina também sustentaram o desempenho comercial do país, contribuindo para atrair investimentos estrangeiros direcionados a setores produtivos. A balança comercial registrou superávit de US$8,830 bilhões em junho, contra US$5,247 bilhões no mesmo mês de 2024, o que ajudou a mitigar o déficit em transações correntes.
Conta corrente e déficit externo
O déficit em transações correntes somou US$2,330 bilhões em junho, contra US$5,177 bilhões no mesmo período do ano anterior e abaixo da expectativa de US$2,45 bilhões em pesquisa da Reuters. O déficit acumulado em 12 meses até junho totalizou o equivalente a 2,46% do Produto Interno Bruto (PIB). A conta de renda primária apresentou déficit de US$6,466 bilhões em junho, ante rombo de US$6,440 bilhões no mesmo mês de 2024. Já o déficit na conta de serviços ficou em US$5,133 bilhões, contra US$4,386 bilhões em junho do ano anterior.
Perspectivas para o restante do ano
Segundo o Banco Central, a força das exportações deve continuar apoiando as entradas de IED, mas o cenário externo ainda impõe incertezas, como a volatilidade dos preços das commodities e as tensões geopolíticas. O fluxo de investimentos diretos é considerado essencial para financiar o déficit em transações correntes e para impulsionar a capacidade produtiva da economia brasileira. Os dados completos do balanço de pagamentos de junho serão divulgados pelo BC nos próximos dias.



