Inflação abre espaço para corte da Selic; será o último do ano?
Inflação abre espaço para corte da Selic; será o último?

O cenário inflacionário mais benigno abriu espaço para um novo corte da taxa básica de juros, a Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), mas a dúvida que ronda o mercado é se esta será a última redução do ano. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe) caiu 0,03% em julho, abaixo das expectativas, acumulando alta de 3,60% em 12 meses. Esse dado, somado à queda de 1,8% da produção industrial em junho, reforça a tese de que há espaço para afrouxamento monetário.

Dados econômicos reforçam expectativa de corte

A produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho na comparação com maio, frustrando as projeções do mercado, que esperavam estabilidade. O resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica uma desaceleração mais forte da atividade econômica, o que pode pressionar o Banco Central a agir. Além disso, o IPC-Fipe, medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), veio abaixo do esperado, consolidando a tendência de desinflação.

Com esses números, a maioria dos analistas projeta um corte de 0,50 ponto percentual na reunião do Copom de setembro, levando a Selic de 10,50% para 10,00% ao ano. No entanto, a sinalização do Banco Central sobre os próximos passos será crucial. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, já indicou que as decisões serão dependentes dos dados, mas não descartou a possibilidade de pausa no ciclo de cortes caso o cenário se deteriore.

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Impacto nos mercados e na Bolsa

A expectativa de corte de juros tem impacto direto nos mercados financeiros. A Bolsa brasileira (Ibovespa) opera em alta, puxada por ações sensíveis a juros, como varejo e construção civil. O dólar opera perto da estabilidade, com investidores monitorando o cenário externo, especialmente as tensões no Oriente Médio. O Bradesco BBI, em relatório, afirma que o Brasil está longe de uma crise sistêmica e que a Bolsa está atrativa, com múltiplos descontados em relação à média histórica.

No mercado de renda fixa, a queda da inflação e a perspectiva de juros menores tornam os títulos públicos mais atraentes. O Tesouro Direto tem sido uma das opções mais procuradas por investidores que buscam segurança e previsibilidade. A aposentadoria de R$ 10 mil por mês, por exemplo, ficou R$ 538 mil mais barata, segundo cálculos de especialistas, refletindo a queda das taxas de juros de longo prazo.

Empresas e setores em destaque

No cenário corporativo, o Itaú Unibanco divulgou resultados “estrelados” no primeiro trimestre, e a expectativa é que mantenha o ritmo no segundo. O banco é uma das ações mais recomendadas pelos analistas para agosto, juntamente com Petrobras, Weg e Vale, que lidera o ranking de indicações. A BB Seguridade pagará R$ 3,85 bilhões em dividendos, ou R$ 1,98 por ação, um dos maiores pagamentos do setor.

No setor de saúde, a Oncoclínicas fechou um acordo de R$ 90 milhões com a Unimed e vendeu sua joint venture na Arábia Saudita. A Eve, empresa de carros voadores da Embraer, reduziu seu prejuízo em 47,1% no segundo trimestre, para US$ 34,2 milhões. Já a Tegma registrou lucro líquido de R$ 83 milhões no segundo trimestre, alta de 20% na comparação anual.

Dúvida sobre o fim do ciclo

Embora o corte em setembro seja quase certo, a dúvida é se será o último do ano. A ata da última reunião do Copom indicou que o BC pode encerrar o ciclo de cortes se a inflação continuar convergindo para a meta. No entanto, as expectativas de inflação para 2025 e 2026 ainda estão acima do centro da meta, o que pode levar a uma pausa.

O mercado também monitora a política fiscal, com o governo discutindo mudanças na meta fiscal e a aprovação de reformas no Congresso. A aprovação da reforma tributária, por exemplo, pode ter impacto na trajetória da dívida pública e, consequentemente, na política monetária. Além disso, o cenário externo, com a guerra no Oriente Médio e a política de juros nos Estados Unidos, também influencia as decisões do BC.

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Recomendações para investidores

Diante desse cenário, especialistas recomendam cautela e diversificação. Para a renda fixa, títulos indexados à inflação (IPCA+) podem ser uma boa opção, pois protegem o poder de compra. Na renda variável, setores como varejo, construção e utilidades públicas tendem a se beneficiar de juros mais baixos. No entanto, é importante ficar atento à volatilidade e aos riscos fiscais.

O Bradesco BBI, em relatório, destaca que a Bolsa brasileira está atrativa, com o Ibovespa negociando a um múltiplo de cerca de 9 vezes o lucro esperado para os próximos 12 meses, abaixo da média histórica de 11 vezes. O banco recomenda uma carteira com exposição a ações de qualidade, como as do setor financeiro e de commodities.

Em resumo, a inflação mais baixa abre espaço para mais um corte de juros, mas o futuro do ciclo de afrouxamento ainda é incerto. O investidor deve monitorar os próximos dados econômicos e as comunicações do Banco Central para ajustar suas estratégias.