Inadimplência se mantém em 4,7% em junho, maior nível histórico, aponta BC
Inadimplência em 4,7% em junho, maior nível histórico

A taxa média de inadimplência nas operações de crédito do sistema financeiro brasileiro permaneceu estável em junho, em 4,7%, o maior patamar da série histórica do Banco Central (BC) iniciada em 2011. Os dados constam do relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito do BC, divulgados nesta quinta-feira (30 de julho), e levam em conta operações com atraso superior a 90 dias, tanto de pessoas físicas quanto de empresas.

Cenário geral da inadimplência

O indicador disparou no último ano. Segundo os dados do BC, a inadimplência total aumentou em 1 ponto percentual nos últimos 12 meses. Esse movimento reflete o aperto das condições financeiras, com juros elevados e endividamento das famílias e empresas. A estabilidade em junho, no entanto, não alivia a preocupação do governo, que vê nos calotes um obstáculo à retomada econômica.

Considerando apenas pessoas físicas, a inadimplência permaneceu em 5,6% em junho. No caso das empresas, o índice ficou estável em 3,2% no mês passado, o maior valor desde novembro de 2017 (quando foi de 3,3%). Os números mostram que, embora o cenário geral não tenha piorado, ainda há pressão sobre segmentos específicos.

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Desempenho por tipo de crédito

Há duas grandes categorias de crédito acompanhadas pelo BC: o direcionado e o livre. O crédito direcionado é aquele com destinação específica, criado para financiar setores considerados estratégicos, como habitação, agricultura e infraestrutura. Os recursos são em geral da poupança ou de fundos e programas públicos e, em muitos casos, os juros são subsidiados. Para pessoas físicas, o crédito habitacional é o mais comum nessa categoria.

Já o crédito livre abrange empréstimos em que as instituições financeiras têm autonomia para definir as taxas de juros, os prazos e a destinação dos recursos, com base em seus próprios critérios de risco. Cheque especial, cartão de crédito e crédito pessoal estão entre os mais habituais. Considerando o crédito livre, a inadimplência das famílias permaneceu em 7,6% em junho, o que também é um recorde histórico.

Medidas do governo e o Desenrola Brasil

A inadimplência e seus efeitos no bolso da população estão entre as principais preocupações do governo Lula. Em maio, o governo lançou uma nova versão do programa Desenrola Brasil, que já negociou ao menos R$ 44,7 bilhões em crédito em menos de três meses. Mesmo com esse volume de renegociações, os atrasos nos pagamentos seguiram estáveis, indicando que novos calotes continuam a surgir.

Diante desse quadro, o governo decidiu nesta semana prorrogar em mais 30 dias o prazo para renegociação de dívidas pelo Desenrola. A medida busca dar mais tempo para que devedores regularizem sua situação e evitar que a inadimplência suba ainda mais. A expectativa é que a prorrogação ajude a conter o avanço dos atrasos, especialmente entre as famílias de baixa renda.

Impactos econômicos e perspectivas

A persistência da inadimplência em níveis recordes tem implicações para a economia como um todo. Bancos tendem a elevar provisões para perdas, o que pode reduzir a oferta de crédito e encarecer os empréstimos. Para as famílias, o endividamento elevado compromete a renda e limita o consumo, dificultando a recuperação econômica.

Especialistas apontam que a queda da taxa Selic, que passou de 13,75% para 10,5% ao ano entre agosto de 2023 e junho de 2024, pode aliviar gradualmente a situação, mas os efeitos levam tempo para se materializar. Enquanto isso, o BC monitora de perto os indicadores de crédito e inadimplência, que seguem como termômetros da saúde financeira do país.

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