O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, chegou a saltar 1,5% nesta terça-feira, 4 de agosto, e superou a marca histórica de 180 mil pontos pela primeira vez. No entanto, o índice amenizou os ganhos após a queda do preço do petróleo no mercado internacional, refletindo preocupações com a demanda global e declarações de autoridades dos EUA.
Recorde intradiário e realização de lucros
Durante a manhã, o Ibovespa atingiu 180.200 pontos, um recorde intradiário, impulsionado por expectativas em torno da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e por dados econômicos positivos. Contudo, a forte queda do petróleo, que chegou a 3%, pressionou as ações de petroleiras como Petrobras, PRIO e Brava, levando o índice a reduzir os ganhos.
Especialistas apontam que a realização de lucros após o recorde é natural, mas o cenário externo segue volátil. A fala do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, sobre um possível acordo relacionado ao petróleo contribuiu para a queda da commodity, afetando diretamente o setor no Brasil.
Impactos no mercado de petróleo e gás
As ações da Petrobras (PETR4) caíram mais de 2%, enquanto PRIO (PRIO3) e Brava (BRAV3) registraram perdas superiores a 3%. A desvalorização do petróleo Brent, que passou a cair 3% após as declarações, gerou preocupações sobre a receita das empresas do setor. Segundo analistas, a queda nos preços pode impactar os resultados do terceiro trimestre, mas a diversificação das operações pode mitigar os efeitos.
No cenário internacional, o petróleo Brent opera em torno de US$ 85,00 o barril, influenciado por temores de desaceleração econômica na China e aumento da oferta. A commodity acumula queda de 8% nas últimas duas semanas, pressionando as bolsas globais.
Destaques positivos na B3
Apesar da pressão do petróleo, outros setores mostraram força. A Vale (VALE3) subiu mesmo com o minério de ferro nas mínimas desde 2025, impulsionada por expectativas de estímulo na China. A ação da Pague Menos (PGMN3) avançou mais de 6% após a divulgação de margem Ebitda recorde no segundo trimestre.
No setor financeiro, o Bradesco (BBDC4) avançou antes da divulgação de seus resultados, marcada para esta quinta-feira. Analistas veem suportes e resistências importantes para o papel, que pode reagir conforme os números.
Perspectivas e recomendações
Com a proximidade da decisão do Copom, que deve manter a taxa Selic em 15% ao ano, investidores aguardam sinais sobre o futuro dos juros. A ata do comitê e a comunicação do Banco Central serão cruciais para calibrar as expectativas.
Para as small caps, analistas indicam as melhores opções para agosto, considerando o cenário de juros elevados e a recuperação econômica gradual. Entre as recomendações, destacam-se empresas dos setores de consumo e infraestrutura.
Mercado internacional e geopolítica
Nos EUA, o membro do Fed, Christopher Waller, alertou para a alta da inflação e disse estar de 'mente aberta' sobre os juros, o que gerou volatilidade nos mercados. As encomendas à indústria dos EUA tiveram queda inesperada em junho, reforçando temores de desaceleração.
No cenário geopolítico, as negociações sobre o Estreito de Ormuz avançam, com os EUA vendo progressos e esperando um acordo. O Irã afirma que não quer expandir a guerra, mas defenderá sua integridade territorial. Esses fatores influenciam diretamente o preço do petróleo e, consequentemente, o Ibovespa.
O que esperar para os próximos dias
Os investidores devem monitorar a decisão do Copom, os balanços de grandes empresas como Bradesco e a evolução das tensões no Oriente Médio. A volatilidade deve continuar, mas a tendência de alta do Ibovespa pode se manter se o cenário externo se estabilizar.
Especialistas recomendam cautela com ações ligadas a commodities, mas veem oportunidades em setores domésticos, como varejo e serviços financeiros. A diversificação continua sendo a chave para navegar em um ambiente de incertezas.



