Ibovespa bate 180 mil pontos com salto de 1,5%, mas ameniza com queda do petróleo
Ibovespa bate 180 mil pontos, mas ameniza com queda do petróleo

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, chegou a saltar 1,5% nesta terça-feira (4), atingindo a marca histórica de 180 mil pontos pela primeira vez. No entanto, o índice amenizou os ganhos ao longo do dia, pressionado pela queda do preço do petróleo no mercado internacional. A commodity recuou mais de 3% após declarações do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, sobre um possível acordo para aumentar a oferta global.

Petróleo derruba ações da Petrobras, Brava e PRIO

As ações da Petrobras (PETR4), Brava Energia (BRAV3) e PRIO (PRIO3) caíram forte, acompanhando a desvalorização do barril de petróleo. O Brent, referência global, virou e passou a cair 3%, depois de oscilar em alta mais cedo. A fala de Bessent, que mencionou a possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e Irã sobre o Estreito de Ormuz, aumentou a expectativa de maior oferta da commodity no mercado.

Analistas apontam que a queda do petróleo tende a reduzir a pressão inflacionária global, o que pode influenciar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa básica de juros. Um cenário de juros mais baixos é positivo para a bolsa, mas o impacto negativo nas petroleiras pesou no índice.

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Balanços corporativos movimentam o mercado

No campo corporativo, o Bradesco (BBDC4) avançava antes da divulgação de seus resultados trimestrais, previstos para após o fechamento do mercado. Investidores monitoram os números do banco, que vem mostrando recuperação nos últimos trimestres. Já a Marcopolo (POMO4) despencava mais de 10% após o mercado precificar uma possível queda nas margens e no lucro da empresa de carrocerias de ônibus.

No setor de varejo farmacêutico, a ação da Pague Menos (PGMN3) subia mais de 6% após a companhia divulgar margem Ebitda recorde no segundo trimestre. A empresa também anunciou um plano de expansão e redução de dívidas, o que animou os investidores.

Vale sobe mesmo com minério em mínimas desde 2025

A Vale (VALE3) operava em alta na B3, mesmo com o minério de ferro negociado nas mínimas desde 2025 na bolsa de Dalian, na China. A commodity acumula queda de mais de 10% no ano, mas a ação da mineradora encontra suporte em fatores como a depreciação do dólar e a expectativa de estímulos econômicos na China.

Especialistas consultados pelo Notícias do Brasil avaliam que a Vale pode se beneficiar de uma eventual recuperação do minério, mas alertam que o cenário ainda é incerto. “A commodity vai se recuperar? Depende muito da demanda chinesa e das políticas de estímulo do governo local”, afirma um analista.

Mercado monitora Copom e pequenas empresas

À espera da decisão do Copom, que será anunciada nesta quarta-feira (5), analistas indicam as melhores small caps para agosto. A expectativa é de que o comitê mantenha a taxa Selic no patamar atual, mas o comunicado pode trazer sinais sobre os próximos passos da política monetária.

No mercado de capitais, a XP avançou para o 4º lugar no ranking das melhores casas de research do Brasil, segundo levantamento da agência Bloomberg. A corretora tem investido em análises aprofundadas e em inteligência artificial para melhorar seus serviços.

Além disso, a Valid (VLID3) anunciou a compra da plataforma de pagamentos e tokenização HSTM, em um movimento que fortalece sua atuação no setor de tecnologia financeira. O Goldman Sachs cortou a recomendação da Ânima (ANIM3) para venda e revisou as projeções para empresas de educação, citando desafios no setor.

EUA e Irã: momento decisivo nas negociações

No cenário internacional, os Estados Unidos veem avanços nas negociações sobre o Estreito de Ormuz e esperam chegar a um acordo. O Irã, por sua vez, afirma que não quer expandir a guerra, mas vai defender sua integridade territorial. Fontes indicam que os EUA usaram “praticamente todos” os mísseis de longo alcance contra o Irã, o que aumenta a pressão por uma solução diplomática.

Esses fatores contribuem para a volatilidade no preço do petróleo e, por consequência, nos mercados globais. No Brasil, a queda da commodity foi o principal motivo para o Ibovespa amenizar os ganhos, apesar do bom desempenho de outros setores.

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Perspectivas para o restante da semana

Para o restante da semana, os investidores devem ficar atentos à decisão do Copom, aos balanços do Bradesco e de outras grandes empresas, e ao desenrolar das negociações entre EUA e Irã. A combinação desses fatores pode definir a direção do Ibovespa nos próximos dias.

“O mercado está em um momento de definição. Se o Copom sinalizar cortes de juros, a bolsa pode testar novos recordes. Mas se o petróleo continuar caindo, as petroleiras vão continuar pressionando o índice”, avalia um gestor de recursos.