O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, chegou a saltar 1,5% nesta terça-feira (4) e superou a marca histórica de 180 mil pontos, renovando o recorde de fechamento. No entanto, a euforia inicial foi amenizada pela forte queda do petróleo no mercado internacional, que pressionou as ações de empresas do setor, como Petrobras, PRIO e Brava.
O movimento de alta foi puxado principalmente por notícias positivas no cenário doméstico, como a desaceleração da indústria em junho, que pode influenciar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa de juros. Segundo analistas, a retração mais forte da atividade industrial pode dar mais espaço para o Banco Central calibrar a Selic sem pressionar a inflação.
Petróleo em queda derruba ações e limita ganhos
O petróleo Brent, referência internacional, virou e passou a cair 3% após declarações do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, sobre um possível acordo envolvendo o Irã e o estreito de Ormuz. A notícia aumentou a expectativa de aumento da oferta global da commodity, derrubando os preços.
Com isso, as ações da Petrobras (PETR4), Brava Energia (BRAV3) e PRIO (PRIO3) registraram fortes quedas na B3, pressionando o Ibovespa. A Vale, por outro lado, subiu mesmo com o minério de ferro operando nas mínimas desde 2025, o que gerou discussões sobre a recuperação da commodity.
O que esperar dos próximos pregões?
O mercado agora aguarda a decisão do Copom na próxima reunião, que deve ser influenciada pelos dados de atividade e inflação. Além disso, os investidores acompanham o balanço do Bradesco (BBDC4), que avança antes da divulgação dos resultados, e as negociações geopolíticas entre EUA e Irã.
Para o curto prazo, os analistas técnicos indicam que o Ibovespa pode testar resistências importantes, com suportes em 178 mil e 175 mil pontos. No cenário internacional, a atenção se volta para os dados de emprego nos EUA e as falas de membros do Federal Reserve sobre os juros.
Indústria fraca e juros: o que dizem os especialistas?
Dados divulgados nesta terça-feira mostraram que as encomendas à indústria dos EUA tiveram queda inesperada em junho, o que reforça a tese de desaceleração global. No Brasil, a produção industrial também perdeu fôlego, o que pode levar o Copom a manter a taxa Selic em patamares mais baixos por mais tempo.
“A retração da indústria é um sinal de que a economia pode estar desacelerando mais do que o esperado, o que dá margem para o Banco Central ser mais cauteloso”, afirma um analista de renda fixa. No entanto, ele ressalta que a inflação de serviços ainda preocupa.
Mercado de opções e estratégias
Com a volatilidade, os investidores buscam proteção e oportunidades. As small caps aparecem como opção para agosto, segundo analistas, enquanto o Tesouro Direto segue como alternativa de renda fixa. A XP, por sua vez, subiu no ranking de melhores casas de research do Brasil, ocupando o 4º lugar.
No setor de tecnologia, a Valid (VLID3) comprou uma plataforma de pagamentos e tokenização, enquanto a Eve teve prejuízo 47,1% menor no segundo trimestre, a US$ 34,2 milhões. Já a Marcopolo desabou mais de 10% após possíveis quedas de margens e lucro.
Impacto nos investimentos e perspectivas
O cenário de incertezas externas e internas deve manter o mercado volátil. A queda do petróleo afeta diretamente as contas públicas e a inflação, mas também pode beneficiar setores como aviação e transporte. O investidor deve ficar atento aos próximos indicadores e às decisões de política monetária.
Em suma, o Ibovespa mostra força ao atingir 180 mil pontos, mas a sustentabilidade desse patamar depende de uma combinação de fatores globais e locais. Acompanhar os desdobramentos da guerra comercial, das tensões no Oriente Médio e da política fiscal brasileira será essencial para os próximos meses.



