A exportação de café do Brasil poderá dar um salto no ano-safra 2026/27, iniciado em julho, voltando ao patamar de 45 milhões de sacas de 60 kg, apesar de impactos na qualidade decorrentes das chuvas na colheita, disse nesta quarta-feira o presidente do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), Márcio Ferreira.
Previsão de crescimento de 17%
Contando com uma colheita maior, o principal produtor e exportador global de café poderá ver um aumento de 17% nas suas exportações em relação ao ciclo 2025/26, quando uma oferta menor e o tarifaço dos EUA afetaram os embarques, indicou Ferreira. O Brasil exportou 45,6 milhões de sacas de café em 2024/25, segundo o Cecafé.
Impacto das chuvas na qualidade
As chuvas ocorreram em ‘momento inapropriado’, disse o presidente do Cecafé a jornalistas, lembrando das atípicas precipitações sob influência do El Niño em junho, quando a colheita ganha ritmo em época normalmente mais seca. Ferreira afirmou que as condições climáticas até pouco antes do início da colheita tinham sido adequadas ‘por demais’, prometendo uma safra que o Brasil não via ‘há muito tempo’ em termos quantitativos e qualitativos. No entanto, a oferta de grãos de alta qualidade tende a ser menor, por impactos das chuvas e também porque produtores tendem a segurar o produto melhor para o final, diante das incertezas climáticas.
Readequação de qualidade
‘Vamos continuar tendo uma safra muito boa, (mas) vamos ter uma readequação de qualidade’, declarou Ferreira. Ele disse ainda que as chuvas reduziram a capacidade de o Brasil produzir os ‘cafés cerejas’ que concorrem com o grão colombiano e que podem ser entregues na bolsa de Nova York. Algumas estimativas apontam, até o momento, que o Brasil está colhendo uma safra recorde em 2026.
Desafios para os embarques
O presidente do Cecafé disse que os embarques no segundo semestre de 2026 poderiam ser mais promissores, não fosse o impacto de atrasos na colheita por chuvas. ‘Não fosse o El Niño talvez o nosso número poderia ser um pouco melhor’, disse ele, estimando que o ano calendário de 2026 deve fechar com embarques de 40 milhões de sacas, estáveis em relação a 2025, após um recorde de mais de 50 milhões de sacas em 2024. ‘Não é menor do que o esperado. Se não tivesse o incidente climático, haveria mais oferta de cafés finos, agora isso é uma incógnita, até que se termine a colheita.’
Mercado firme e postura conservadora
Ferreira observou que o atraso da colheita também não propiciou uma antecipação de vendas por parte do produtor, deixando-o com uma postura mais conservadora, o que se refletiu nos embarques de junho. Neste contexto, disse Ferreira, o mercado tende a ser ‘bom’ para o produtor em termos de preços, acrescentando que a situação invertida na bolsa de Nova York traz desafios para os comerciantes. O mercado invertido na bolsa ICE, definido por um primeiro vencimento com preço mais alto do que o mês seguinte, também desencoraja o produtor a fazer vendas para entregas mais adiante, ‘deixando os estoques na origem’. ‘Os estoques na bolsa não tendem a subir, o que mantém o mercado bastante sólido’, disse Ferreira, lembrando do dólar abaixo de anos recentes como outro fator. Assim, ‘é necessário que a bolsa se mantenha firme, ou retira o interesse de venda dos produtores’.



