Estratégia de Trump vai além de Lula, aponta analista
O tarifaço imposto pelo presidente americano Donald Trump ao Brasil não pode ser reduzido a uma disputa pessoal com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A afirmação é do analista Uriã Fancelli, que avalia a política tarifária dos EUA como parte de uma doutrina oficial mais ampla. Segundo ele, a submissão do Brasil é o prêmio mais valioso disponível para Washington, e o foco em Lula seria uma narrativa conveniente para isentar o senador Flávio Bolsonaro de responsabilidade.
Pressão sobre potência regional
Fancelli argumenta que a pressão sobre o Brasil, uma potência regional, é central para a estratégia americana de restaurar sua preeminência no hemisfério. “O tarifaço vai além de Lula. A submissão do Brasil é o prêmio mais valioso disponível”, declarou o analista. A análise foi publicada na coluna de Míriam Leitão, que há 50 anos acompanha o noticiário nacional e internacional.
Narrativa conveniente
De acordo com Fancelli, a narrativa que coloca Lula como alvo principal do tarifaço serve para desviar o foco de Flávio Bolsonaro, que também se reuniu com Trump. O senador bolsonarista teria papel relevante nas articulações políticas que envolvem as tarifas. O analista sugere que a estratégia de Trump busca enfraquecer o Brasil economicamente para forçar alinhamento político, independentemente de quem esteja no poder.
Impactos e contexto
A política tarifária de Trump já gerou reações no governo brasileiro, que estuda medidas de retaliação. Especialistas apontam que o aumento de tarifas pode afetar setores como agronegócio e indústria, com potencial impacto no PIB. A análise de Fancelli destaca que a pressão sobre o Brasil insere-se em um movimento maior de reafirmação da hegemonia dos EUA sobre a América Latina, região historicamente influenciada por Washington.



