Os índices acionários de Nova York encerraram a sessão desta terça-feira (4) em território positivo, com o Dow Jones e o S&P 500 renovando seus recordes de fechamento. O movimento foi impulsionado pela expectativa de que o Estreito de Ormuz possa ser reaberto em breve, aliviando tensões geopolíticas que vinham pressionando o mercado, além da temporada de balanços corporativos que segue trazendo resultados acima do esperado.
Desempenho dos índices
O Dow Jones subiu 0,45%, encerrando aos 39.456,32 pontos, um novo máximo histórico. O S&P 500 avançou 0,36%, fechando aos 5.312,45 pontos, também em nível recorde. O Nasdaq Composite, por sua vez, teve alta de 0,28%, aos 16.742,39 pontos, mas ainda abaixo de seu pico de fechamento registrado em abril.
O volume de negociações foi robusto, com aproximadamente 10,8 bilhões de ações negociadas nas bolsas americanas, acima da média de 10,5 bilhões dos últimos 20 dias. O avanço foi liderado por setores cíclicos, como energia e industriais, que se beneficiaram diretamente da notícia sobre o estreito.
Reabertura de Ormuz no radar
A possível reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, foi o principal catalisador do dia. Segundo fontes citadas pela agência Reuters, negociações mediadas por países do Golfo estariam avançando para permitir a passagem de navios petroleiros novamente, após semanas de bloqueio parcial por forças iranianas.
"O mercado precifica um cenário de normalização no fornecimento de energia, o que reduz o risco de inflação e dá suporte à continuidade do ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve", comentou o estrategista-chefe da Spartan Capital, Peter Cardillo, em nota a clientes. "Isso, somado a balanços fortes, cria um ambiente favorável para as ações."
O petróleo Brent, referência internacional, recuou 2,1%, para US$ 81,20 o barril, na esteira da notícia. As ações das petroleiras, no entanto, tiveram desempenho misto: Exxon Mobil caiu 0,8%, enquanto Chevron avançou 0,3%, refletindo a complexidade do setor.
Balanços corporativos seguem fortes
Na frente de resultados, a temporada de balanços do segundo trimestre segue surpreendendo positivamente. Até o momento, cerca de 78% das empresas do S&P 500 que divulgaram seus números superaram as estimativas de lucro, segundo dados da FactSet. Entre os destaques do dia, a gigante de tecnologia Apple reportou receita de US$ 85,8 bilhões, alta de 5% ano a ano, superando as projeções de US$ 84,5 bilhões.
No setor financeiro, o JPMorgan Chase divulgou lucro por ação de US$ 4,33, acima dos US$ 4,11 esperados, impulsionado pela forte atividade de negociação. "Os bancos estão se beneficiando da curva de juros e da resiliência do consumidor", avaliou a analista do Wells Fargo, Sarah Miller.
Perspectivas e próximos catalisadores
Os investidores agora aguardam novos dados econômicos, como o relatório de empregos de julho, que será divulgado na sexta-feira. Economistas projetam a criação de 185 mil vagas, com taxa de desemprego estável em 3,9%. Qualquer sinal de arrefecimento no mercado de trabalho pode reforçar a aposta em cortes de juros pelo Fed já em setembro.
Além disso, a temporada de balanços continua na próxima semana, com grandes nomes do varejo como Walmart e Home Depot. "O mercado está em um momento de 'goldilocks', com crescimento moderado e inflação cedendo", disse o gestor da Janus Henderson, John Kerschner. "Mas é preciso monitorar os riscos geopolíticos e a política monetária."
No cenário geopolítico, a situação no Oriente Médio permanece volátil, e qualquer retrocesso nas negociações sobre Ormuz pode reverter rapidamente o otimismo. Por ora, o humor dos investidores é de cautela otimista, com os índices renovando recordes e a liquidez abundante.



