Brasil é único país com crescimento no tráfego aéreo doméstico em junho, diz IATA
Brasil cresce em tráfego aéreo doméstico em junho, aponta IATA

O Brasil foi o único país entre os principais mercados domésticos de tráfego aéreo no mundo a registrar crescimento em junho, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (30) pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA). Enquanto a demanda global medida em quilômetros-viagem de receitas (RPK) recuou 1,7% na comparação anual, o mercado doméstico brasileiro apresentou alta de 0,9% ante o mesmo mês de 2025.

Desempenho global contrastante

A demanda internacional caiu 0,9% e a doméstica, 3,0% no mundo todo. Entre os grandes mercados domésticos, apenas a Austrália manteve estabilidade; todos os outros apresentaram contração. As quedas mais acentuadas ocorreram na China (-5,2%) e no Japão (-3,8%), explicadas, segundo a IATA, pelos preços mais elevados dos combustíveis.

Os dados da associação divergem dos números divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para o mesmo período, que apontaram uma retração de 1,2% no tráfego doméstico brasileiro em termos anuais. A capacidade nos voos domésticos do Brasil expandiu-se 4,0%, resultando em um declínio de 2,5 pontos percentuais no fator de ocupação, para 80,2%.

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Análise regional detalhada

No cenário global, o tráfego de passageiros mostrou moderação no ritmo de crescimento anual entre transportadoras da África, América Latina e Caribe e Europa, enquanto as companhias da Ásia-Pacífico, América do Norte e Oriente Médio registraram contração. O fator de ocupação (PLF) das companhias aéreas permaneceu em ou abaixo dos níveis de 2025, com a Europa registrando o maior índice entre todas as regiões.

As transportadoras do Oriente Médio tiveram queda de 13,9% no tráfego em junho ante o mesmo mês do ano anterior, uma melhora significativa em relação ao declínio de 28,8% registrado em maio. A contração moderou à medida que as disrupções regionais diminuíram após o cessar-fogo no conflito do Irã, que motivou um alívio parcial das restrições de voo e apoiou uma recuperação gradual da demanda. A capacidade caiu 11,3% na comparação anual, ritmo mais lento que o da demanda, levando a um recuo de 2,3 pontos percentuais no PLF, para 76,1%.

Desempenhos por continente

As companhias aéreas da Ásia-Pacífico registraram queda de 2,0% no tráfego de passageiros em junho, marcando o segundo mês consecutivo de contração. Segundo a IATA, o declínio foi impulsionado pela fragilidade em mercados domésticos-chave, como a China, o maior mercado doméstico da região, e pela demanda mais amena na Índia. O segmento internacional de curta distância também foi impactado por reduções de capacidade relacionadas aos custos mais altos de combustível. A capacidade geral na região caiu 2,1%, elevando o PLF em 0,1 ponto percentual, para 83,1% – um recorde para o mês de junho.

Na América do Norte, o tráfego recuou 1,1% na comparação anual, segundo mês consecutivo de contração, refletindo a fragilidade contínua no mercado doméstico dos Estados Unidos e um tráfego internacional mais ameno devido a uma gestão de capacidade mais apertada. A capacidade caiu no mesmo ritmo da demanda, declinando 1,1%, mantendo o PLF inalterado em 86,1%.

As transportadoras europeias registraram modesta alta de 0,8% no tráfego, apoiada por um aumento de 1,5% na demanda internacional. A capacidade cresceu 1,4%, superando a demanda e reduzindo o PLF em 0,5 ponto percentual, para 87,5% – o maior PLF entre todas as regiões em junho.

Na América Latina e Caribe, o tráfego subiu 1,5% na comparação anual, impulsionado pela demanda internacional, que cresceu 3,5%. A capacidade, porém, expandiu-se a um ritmo mais rápido, de 3,9%, pressionando o PLF para baixo em 2,0 pontos percentuais, para 81,2%.

Já as transportadoras africanas registraram o crescimento de tráfego mais forte entre todas as regiões em junho, com alta de 3,8% ante 2025. A capacidade expandiu 4,7%, superando a demanda e levando a um declínio de 0,6 ponto percentual no PLF, para 73,9%.

A IATA representa mais de 370 companhias aéreas em todo o mundo, abrangendo cerca de 85% do tráfego aéreo global.

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