As bolsas europeias fecharam em níveis recordes nesta terça-feira (4), impulsionadas pela queda nos preços do petróleo e pela divulgação de balanços corporativos robustos. O índice pan-europeu Stoxx 600 avançou 0,8%, renovando sua máxima histórica, enquanto os principais índices de Londres, Frankfurt e Paris também atingiram novos patamares.
Alívio no petróleo e balanços fortes impulsionam mercados
A desaceleração nos preços do barril de petróleo trouxe alívio aos investidores, reduzindo temores inflacionários e aumentando a expectativa de que os bancos centrais possam flexibilizar a política monetária. O Brent, referência global, caiu mais de 2%, para cerca de US$ 85, após dados mostrarem aumento nos estoques nos Estados Unidos e perspectivas de oferta mais robusta.
Além disso, a temporada de balanços na Europa tem surpreendido positivamente. Empresas dos setores de tecnologia, saúde e bens de luxo reportaram lucros acima do esperado, reforçando a confiança na saúde corporativa da região. Segundo analistas do Barclays, “os resultados do segundo trimestre superaram as estimativas em média 3%, com destaque para o setor de tecnologia”.
FTSE 100, DAX e CAC 40 em máximas
Em Londres, o FTSE 100 subiu 0,6%, fechando em 8.450 pontos, impulsionado por ações de mineração e energia, que se beneficiaram da queda do petróleo. Em Frankfurt, o DAX avançou 0,9%, para 18.900 pontos, com forte desempenho de empresas de software e semicondutores. Já o CAC 40, de Paris, ganhou 0,7%, atingindo 7.650 pontos, com destaque para o setor de luxo, como LVMH e Hermès.
O índice Stoxx 600, que reúne as 600 maiores empresas da Europa, fechou em 520 pontos, superando o recorde anterior registrado em maio. O volume de negociação foi 15% acima da média dos últimos 30 dias, indicando forte participação de investidores institucionais.
Impacto nos mercados e perspectivas
A combinação de petróleo mais barato e balanços fortes melhorou o apetite por risco, refletindo-se também nos mercados de títulos. Os yields dos bônus de dez anos da Alemanha caíram 5 pontos-base, para 2,3%, enquanto os do Reino Unido recuaram para 4,1%. O euro, por sua vez, manteve-se estável ante o dólar, em torno de US$ 1,09, com investidores aguardando novos dados econômicos.
Especialistas alertam, no entanto, que a volatilidade pode aumentar nas próximas semanas, com a divulgação de índices de preços ao consumidor nos Estados Unidos e na zona do euro. “O mercado está precificando um cenário otimista, mas qualquer surpresa inflacionária pode provocar correções”, ponderou a estrategista-chefe do Commerzbank, Maria Müller.
Setores em destaque
Entre os setores que mais contribuíram para a alta, tecnologia subiu 1,5%, saúde ganhou 1,2% e bens de luxo avançaram 1,8%. Por outro lado, o setor de energia caiu 1,3%, acompanhando a queda do petróleo, e o de utilidades públicas recuou 0,5%.
No cenário corporativo, a SAP, gigante alemã de software, divulgou lucro líquido 12% acima do esperado, elevando suas ações em 4%. A farmacêutica Novartis também apresentou resultados fortes, com alta de 3% em suas ações. Já a BP, petroleira britânica, viu seus papéis caírem 2,5%, refletindo o menor preço do barril.
Perspectivas para os próximos dias
Analistas acreditam que o rali pode continuar, caso os dados econômicos confirmem um cenário de desaceleração da inflação sem recessão. O Banco Central Europeu (BCE) deve manter as taxas de juros inalteradas em sua próxima reunião, mas sinais de flexibilização podem dar novo impulso às bolsas.
“Estamos em um momento de otimismo, mas é preciso monitorar de perto os desdobramentos geopolíticos e a política monetária”, afirmou o diretor de investimentos da gestora Amundi, Philippe Bertin. Ele recomenda cautela com setores cíclicos e preferência por empresas com balanços sólidos.
Com a temporada de balanços ainda em andamento, os investidores aguardam os resultados de grandes empresas como Nestlé, Airbus e Banco Santander, que podem influenciar a direção dos mercados nos próximos dias.



