O Tesouro IPCA+ com taxa de 8% ao ano voltou a chamar a atenção dos investidores, mas será que esse percentual sozinho justifica a aplicação? Especialistas ouvidos pelo Notícias do Brasil explicam que a taxa real elevada é atrativa, mas não deve ser o único critério de decisão.
O que é o Tesouro IPCA+ e por que 8% é raro?
O Tesouro IPCA+ é um título público que rende a variação da inflação (IPCA) mais uma taxa real prefixada. Nos últimos anos, taxas acima de 6% ao ano foram consideradas elevadas, e os 8% observados recentemente são vistos como oportunidade histórica. Segundo dados do Tesouro Direto, a última vez que o papel ofereceu esse patamar foi em 2016, durante a crise política e econômica.
No entanto, a taxa de 8% reflete o aumento das expectativas de inflação e o aperto monetário. Para o economista-chefe de uma corretora, “o mercado precifica riscos fiscais e incertezas sobre a trajetória da dívida pública”.
Taxa alta nem sempre significa bom negócio
Apesar do apelo, analistas alertam que o investidor deve considerar o prazo do título. Tesouro IPCA+ com vencimento longo, como 2045 ou 2055, pode sofrer forte volatilidade no curto prazo. “Se o investidor precisar vender antes do vencimento, pode ter prejuízo com a marcação a mercado”, explica um gestor de renda fixa.
Além disso, a tributação segue a tabela regressiva do Imposto de Renda, e a rentabilidade real líquida pode cair para perto de 6% ao ano dependendo do prazo. Por isso, a decisão deve levar em conta o perfil e os objetivos financeiros.
Estratégia para aproveitar a taxa
Para quem tem horizonte de longo prazo, a recomendação é alocar parte da carteira em títulos IPCA+ com vencimentos escalonados, criando um fluxo de renda real. Já para objetivos de curto prazo, títulos atrelados ao CDI ou Selic são mais indicados.
O Tesouro Direto registrou em junho de 2025 mais de 2 milhões de investidores ativos, e os títulos IPCA+ representam cerca de 30% do estoque. A taxa de 8% pode ser uma oportunidade, mas exige planejamento.



