Os investidores que compraram ações em ofertas públicas iniciais (IPOs) nos últimos anos podem ter se decepcionado. Um estudo do Bank of America, citado pela coluna, revela que a maioria dos novos IPOs tende a patinar após o entusiasmo inicial. Segundo a análise, cerca de 80% das empresas que abriram capital em 2021 e 2022 negociam abaixo do preço de estreia. O fenômeno não é novo, mas ganhou força no ciclo recente de juros baixos e liquidez abundante.
O que explica o desempenho fraco dos IPOs?
O estudo aponta que o problema não está na qualidade das empresas, mas no timing e na precificação. Em períodos de euforia, os bancos tendem a precificar as ofertas de forma agressiva, aproveitando o apetite dos investidores. Com isso, o potencial de valorização já fica embutido no preço de abertura, deixando pouco espaço para ganhos futuros. "O mercado precifica o otimismo, e depois a realidade se impõe", afirma um analista ouvido pela coluna.
Além disso, a maioria dos IPOs recentes é de empresas em estágio de crescimento, com lucros ainda distantes. Quando o cenário macroeconômico piora, como ocorreu com o aumento dos juros, essas companhias são as mais penalizadas. O estudo do Bank of America mostra que, após 12 meses da listagem, o retorno mediano das empresas que abriram capital em 2021 é negativo em 30%.
O ciclo de juros e o impacto na renda variável
O ambiente de juros elevados é um dos principais vilões. Com a taxa básica em dois dígitos, a renda fixa se torna mais atraente, desviando recursos da bolsa. Para as empresas que acabaram de abrir capital, o custo de capital aumenta e as projeções de crescimento se tornam menos atrativas. "Quando os juros sobem, o múltiplo que os investidores estão dispostos a pagar por crescimento futuro cai drasticamente", explica o especialista.
O estudo também destaca que o desempenho dos IPOs varia conforme o setor. Empresas de tecnologia, que dominaram as listagens recentes, foram as mais afetadas. Já setores como energia e saneamento, com fluxo de caixa mais previsível, tiveram desempenho relativamente melhor.
O que esperar para os próximos IPOs?
Apesar do cenário desafiador, novos IPOs continuam sendo lançados no mercado brasileiro. A expectativa é que as ofertas sejam menores e mais seletivas, com preços mais realistas. "Os bancos ajustaram suas precificações após as lições dos últimos anos", comenta o analista. No entanto, o estudo alerta que o histórico recente não é animador: apenas 20% dos IPOs de 2021 e 2022 estão acima do preço de abertura.
Para o investidor, a recomendação é cautela. Antes de comprar ações de uma empresa que acabou de abrir capital, é importante avaliar fundamentos, modelo de negócio e perspectivas de lucro. A euforia inicial pode ser tentadora, mas os dados mostram que a maioria dos IPOs "imperdíveis" acaba patinando. A diversificação e a paciência são essenciais para evitar armadilhas.



