O Tesouro Direto voltou a oferecer títulos com taxa de IPCA+8%, um patamar considerado raro nos últimos anos. No entanto, especialistas alertam que a taxa sozinha não justifica a aplicação. É preciso analisar o contexto fiscal, o prazo do título e os objetivos do investidor.
O que significa IPCA+8%?
Os títulos do Tesouro IPCA+ pagam uma taxa real (acima da inflação) mais a variação do IPCA. Uma taxa de 8% ao ano real é historicamente elevada. Para comparação, em 2020 os títulos chegaram a pagar IPCA+3% ou 4%. A alta atual reflete o aumento do prêmio de risco exigido pelos investidores diante das incertezas fiscais e políticas.
Por que a taxa isolada não basta?
Segundo analistas, uma taxa real de 8% pode parecer atraente, mas o investidor precisa considerar o prazo de vencimento. Títulos longos, como o Tesouro IPCA+ 2055, têm alta volatilidade. Se o investidor precisar vender antes do vencimento, pode amargar perdas com a marcação a mercado. Além disso, a taxa de 8% embute um prêmio de risco que reflete a possibilidade de descontrole fiscal. “O mercado está pedindo esse prêmio porque vê riscos no cenário”, afirma Felipe Miranda, da Empiricus.
O que esperar daqui para frente?
A continuidade da taxa elevada depende da percepção de risco fiscal. Se o governo mostrar compromisso com o ajuste das contas, as taxas podem cair. Caso contrário, o prêmio pode permanecer ou até aumentar. Para o investidor de longo prazo, que pretende levar o título até o vencimento, a taxa atual pode ser uma boa oportunidade. Mas é fundamental diversificar e não apostar tudo em um único ativo.



