IPCA+8% é para todo mundo? Entenda se taxa rara sozinha justifica aplicar no Tesouro
IPCA+8% é para todo mundo?

A taxa de 8% acima da inflação no Tesouro IPCA+ chamou a atenção de investidores, mas será que esse rendimento raro justifica, por si só, a aplicação? Especialistas ouvidos pelo InfoMoney alertam que a decisão deve considerar o perfil de risco e o prazo do investimento.

O que significa IPCA+8%?

O Tesouro IPCA+ oferece um retorno composto pela variação da inflação oficial mais uma taxa real prefixada. Quando essa taxa atinge 8% ao ano, significa que o investidor receberá, além da correção pela inflação, um ganho real de 8% ao ano. Historicamente, taxas acima de 6% são consideradas atrativas.

Segundo analistas, o patamar atual reflete expectativas de inflação mais alta e incertezas fiscais. No entanto, aplicar apenas por causa da taxa elevada pode ser um erro. “O investidor precisa avaliar se o prazo do título é compatível com seus objetivos. Títulos longos, como os com vencimento em 2055, têm alta volatilidade”, afirma Rafael Ragazi, analista da Nova Futura.

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Riscos e cuidados

Embora a taxa real seja elevada, o Tesouro IPCA+ é um título prefixado atrelado à inflação, o que significa que, se o investidor vender antes do vencimento, pode ter prejuízo com a marcação a mercado. Em cenários de queda da inflação ou de juros, o preço do título pode cair, gerando perdas temporárias.

“Não adianta olhar só para a taxa. Se o dinheiro for necessário antes do vencimento, o investidor pode amargar um resultado negativo”, diz Carolina Lemos, planejadora financeira CFP. Ela recomenda que o título seja usado para objetivos de longo prazo, como aposentadoria, e com horizonte de pelo menos 5 anos.

Comparação com outras opções

Para prazos mais curtos, outras aplicações podem ser mais adequadas, como CDBs, LCIs e LCAs com liquidez diária. Atualmente, alguns CDBs pagam até CDI+5%, o que, com a Selic em 13,25% ao ano, equivale a um retorno bruto de cerca de 18,25% ao ano. Já o Tesouro IPCA+8% com vencimento em 2035 tem retorno real de 8%, mas a rentabilidade nominal dependerá da inflação futura.

“Se a inflação ficar em 4% ao ano, o retorno nominal será de 12,32% (1,04 x 1,08 – 1). Isso é inferior ao CDB que paga CDI+5%”, calcula Ragazi. Portanto, a escolha depende da expectativa de inflação e do prazo.

Conclusão

A taxa IPCA+8% é um bom indicativo de momento, mas não deve ser o único fator de decisão. O investidor precisa alinhar o título ao seu planejamento financeiro, considerando liquidez, prazo e tolerância a risco. Para quem tem horizonte longo e busca proteção contra inflação, pode ser uma oportunidade. Caso contrário, outras opções de renda fixa podem ser mais interessantes.

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