A oferta de títulos do Tesouro Direto com taxa de IPCA+8% chamou a atenção de investidores, mas será que essa rentabilidade por si só justifica a aplicação? Especialistas ouvidos pelo InfoMoney explicam que a decisão deve considerar o perfil do investidor, o prazo do título e as condições macroeconômicas.
O que significa IPCA+8%?
Os títulos do Tesouro IPCA+ pagam uma taxa real (acima da inflação) mais a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Uma taxa de 8% ao ano é considerada rara e atrativa em termos históricos. No entanto, o Tesouro IPCA+ é um título de longo prazo (geralmente com vencimento em 2026, 2035 ou 2045), e sua marcação a mercado pode gerar volatilidade no curto prazo.
Segundo analistas, a taxa elevada reflete expectativas de inflação mais alta e/ou prêmio de risco. “Uma taxa real de 8% é um excelente ponto de entrada para quem tem horizonte de investimento compatível”, afirma Raphael Fonseca, planejador financeiro da XP. “Mas se o investidor precisar resgatar antes do vencimento, pode ter prejuízo.”
Riscos e cuidados
O principal risco é a marcação a mercado: se as taxas de juros subirem, o valor do título cai. Quanto maior o prazo, maior a sensibilidade. “Não adianta comprar IPCA+8% e vender na primeira turbulência”, alerta Fonseca. Outro ponto é a tributação: o Imposto de Renda segue a tabela regressiva, com alíquota de 15% para aplicações acima de dois anos.
Além disso, a inflação futura pode não se concretizar como esperado. Se o IPCA ficar abaixo das projeções, o retorno real pode ser menor. Por isso, a recomendação é diversificar e não concentrar toda a carteira em um único título.
Para quem vale a pena?
O Tesouro IPCA+ é indicado para objetivos de longo prazo, como aposentadoria ou compra de imóvel. “Para quem tem prazo acima de 5 anos e pode suportar oscilações, a taxa atual é uma oportunidade”, diz Fonseca. Já para reserva de emergência ou metas de curto prazo, títulos com liquidez diária (como Tesouro Selic) são mais adequados.
Em resumo, a taxa de IPCA+8% é atrativa, mas não é uma recomendação universal. A decisão deve ser baseada no planejamento financeiro pessoal, no prazo e na tolerância ao risco.



