Fundos de crédito sofrem também com risco de mercado
Fundos de crédito sofrem com risco de mercado

Os fundos de crédito, tradicionalmente vistos como investimentos de baixo risco, estão enfrentando um novo desafio: o risco de mercado. Além da inadimplência, a marcação a mercado dos títulos tem gerado perdas significativas para os cotistas, ampliando a volatilidade desses produtos.

Entendendo o risco de mercado em fundos de crédito

Diferentemente do que muitos investidores acreditam, os fundos de crédito não estão imunes às oscilações do mercado. A marcação a mercado, prática que ajusta diariamente o valor dos títulos com base nas condições atuais de negociação, pode provocar quedas no valor das cotas mesmo sem qualquer evento de inadimplência. Segundo especialistas, esse efeito tem sido potencializado pelo aumento das taxas de juros e pela aversão ao risco no mercado.

De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o patrimônio líquido dos fundos de crédito caiu 8% nos últimos três meses, acumulando perdas que superam R$ 15 bilhões. Grande parte dessa redução é atribuída à desvalorização dos títulos públicos e privados que compõem as carteiras.

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Impacto nos cotistas e na indústria de fundos

Para os investidores, o principal impacto é a surpresa com a volatilidade. Muitos migraram para fundos de crédito em busca de segurança, mas agora enfrentam perdas inesperadas. “Os cotistas precisam entender que fundos de crédito têm risco de mercado sim, e que a marcação a mercado pode gerar oscilações de curto prazo”, afirma João Pedro Oliveira, analista da XP Investimentos.

A indústria de fundos também sente o impacto. Com a saída de recursos, gestores são forçados a vender títulos em momentos de baixa, realizando perdas e ampliando o ciclo negativo. “Estamos vendo um movimento de resgates que força a venda de ativos, o que pressiona ainda mais os preços”, explica Oliveira.

Estratégias para mitigar o risco

Para minimizar os efeitos, algumas gestoras têm adotado estratégias como a redução da duration das carteiras e o aumento da liquidez. No entanto, essas medidas podem limitar o potencial de retorno. “O investidor deve avaliar seu perfil de risco e horizonte de investimento antes de escolher um fundo de crédito”, recomenda Oliveira.

Além disso, a diversificação entre diferentes tipos de crédito e prazos de vencimento pode ajudar a reduzir a exposição ao risco de mercado. Fundos que investem em títulos indexados à inflação ou com prazos mais curtos tendem a sofrer menos com a marcação a mercado.

Perspectivas para o setor

As perspectivas para os fundos de crédito dependem do cenário macroeconômico. Se as taxas de juros continuarem elevadas, a pressão sobre os preços dos títulos deve persistir. Por outro lado, uma eventual queda da Selic poderia trazer alívio e valorização das carteiras. “O momento exige cautela e paciência. O crédito ainda é uma classe de ativos relevante, mas o investidor precisa estar preparado para a volatilidade”, conclui Oliveira.

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