O investidor moderno enfrenta um cenário cada vez mais complexo, que vai muito além da simples escolha de ações ou títulos de renda fixa. A construção e administração do patrimônio hoje exigem atenção a temas como planejamento sucessório, eficiência tributária, proteção contra a inflação, diversificação internacional e adaptação a mudanças econômicas constantes. Diante dessa diversidade, os profissionais do setor — assessores e consultores — adotam uma abordagem holística, uma verdadeira visão 360 graus sobre a vida financeira do cliente.
Planejamento para a longevidade
A expectativa de vida do brasileiro voltou a crescer. Segundo dados do IBGE, com base nas Tábuas de Mortalidade de 2024, um brasileiro podia esperar viver até os 76,6 anos, um aumento de 2,5 meses em relação a 2023. Esse cenário exige planejamento financeiro de longo prazo. “Hoje fazemos planejamento financeiro para as pessoas viverem até os 90 anos e/ou se prepararem para parar de trabalhar aos 60”, explica Ana Paula Milanez, sócia e assessora de investimentos da Guelt Investimentos. “De acordo com o objetivo de cada um, seja uma viagem ou qualquer outro projeto, você faz um planejamento diferente”, reforça.
Planejamento e proteção patrimonial
Proteger o patrimônio vai além da escolha de ativos. Tatiana Guedes, gerente de relacionamento institucional da InvestSmart, destaca que isso envolve sucessão patrimonial, previdência privada, constituição de holdings e seguros. “Para proteger o patrimônio que o cliente construiu ao longo da vida”, afirma a executiva. “Outro ponto é a necessidade do planejamento patrimonial, tanto na sucessão quanto na previdência e na montagem de holdings”, confirma.
Diversidade de produtos e serviços financeiros
O mercado oferece uma vasta gama de produtos e serviços financeiros, tornando praticamente inviável para a maioria dos brasileiros acompanhar e entender as melhores oportunidades. Para quem não tem tempo ou conhecimento suficiente, Tatiana Guedes defende o auxílio profissional. “O brasileiro, de forma geral, não estudou educação financeira, e esse é um tema que, de fato, é bastante complexo”, contextualiza. “O assessor ajuda muito na montagem do portfólio, diante da quantidade de produtos financeiros e de investimentos que existem no mercado”, completa.
Mudanças macroeconômicas
O cenário macroeconômico muda rapidamente, impulsionado por guerras, disputas comerciais e tensões geopolíticas. “Não necessariamente o que é bom para o investidor hoje será bom para ele daqui a seis meses”, ressalta Tatiana. Ana Paula Milanez observa que um dos grandes desafios é convencer o cliente de que “existe vida além do CDI” e da necessidade de uma carteira diversificada, “não só como proteção, mas também como oportunidade”.
O velho fantasma da inflação
Wagner Vieira, sócio-fundador e CEO da Blue3 Investimentos, alerta que a inflação jamais pode sair do radar. “Como é que eu faço para não perder o meu poder de compra?”, questiona. “Acho que essa é a pergunta que o brasileiro tem que fazer”, pontua.
Período eleitoral
A cada quatro anos, o brasileiro vai às urnas, e o investidor tende a redobrar a atenção com o planejamento financeiro. Embora a estratégia deva ser de longo prazo, a volatilidade e os ruídos desse período são quase impossíveis de ignorar. “Em um cenário de eleição, o cliente fica mais conservador e um pouco mais desconfiado”, observa Wagner Vieira. “É importante essa proximidade [com o assessor] para que, independentemente do momento, a carteira renda acima da inflação e ele não tenha perda do poder de compra real”, finaliza.



