Uma exposição inspirada no documentário '3 Obás de Xangô', lançado em agosto de 2025, será exibida na Caixa Cultural, no Pelourinho, em Salvador, a partir de domingo (2). O longa-metragem, dirigido pelo soteropolitano Sérgio Machado, apresenta histórias do trio de amigos Jorge Amado (1912-2001), Dorival Caymmi (1914-2008) e Carybé (1911-1997). O trio recebeu o título de Obás de Xangô no Ilê Axé Opô Afonjá devido à relação com a religiosidade, a arte e a construção da identidade cultural da Bahia.
Curadoria e acervo
A exposição conta com a curadoria de Tiago Sant’Ana, Mariana Vaz, Solange Bernabó e Gildeci Leite, e apresenta peças que celebram a amizade entre Amado, Caymmi e Carybé. A visitação é gratuita das 9h às 18h, de terça a domingo e feriados. Entre o material exposto, estão documentos e registros históricos de mais de 45 artistas das artes visuais, música, literatura e fotografia. O material apresenta diferentes olhares sobre o legado deixado pelos homenageados, enfatizando a centralidade do Candomblé e lideranças femininas na construção do imaginário cultural baiano e brasileiro.
Núcleos temáticos
A exposição foi organizada em núcleos temáticos, abordando questões como o matriarcado nas religiões de matriz africana, os saberes das comunidades de axé, a simbologia de Xangô, a amizade dos homenageados e as expressões contemporâneas artísticas afro-brasileiras. A obra 'Olhos de Xangô', do artista Bauer Sá, é uma das peças em destaque.
Significado do título Obá de Xangô
O título de Obá de Xangô é uma honraria concedida pelo Ilê Axé Opô Afonjá, um dos mais tradicionais terreiros de Candomblé da Bahia. Designa guardiões do culto a Xangô, orixá da justiça e do fogo. Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé foram agraciados por sua contribuição à cultura baiana e à preservação das tradições afro-brasileiras. A exposição busca resgatar essa memória e mostrar como a amizade entre eles transcendeu o tempo.
De acordo com a curadoria, a mostra reúne mais de 45 artistas, entre nomes consagrados e novos talentos, que reinterpretam o legado do trio. A diversidade de suportes — pinturas, esculturas, fotografias e documentos históricos — oferece um panorama rico sobre a influência dos Obás na arte e na literatura.
Impacto cultural
A exposição não apenas homenageia os três amigos, mas também reforça a importância do Candomblé e das lideranças femininas na formação da identidade baiana. O matriarcado nas religiões de matriz africana é um dos eixos centrais, destacando o papel das mulheres na manutenção dos saberes ancestrais. A mostra também dialoga com a contemporaneidade, apresentando expressões artísticas afro-brasileiras atuais.
O documentário '3 Obás de Xangô', dirigido por Sérgio Machado, já está disponível e serve como ponto de partida para a reflexão sobre a amizade e a cultura. A exposição na Caixa Cultural é uma oportunidade de imersão nesse universo, unindo arte, história e religiosidade.



