O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta quarta-feira, 30 de julho, a terceira troca no comando de sua campanha à Presidência da República em 2026. A mudança ocorre em meio a uma crise interna com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que teria criticado a estratégia de comunicação da equipe, e após sucessivos erros que reduziram a vantagem do candidato nas pesquisas.
Substituição no alto escalão
O novo coordenador-geral da campanha é o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), que substitui o até então chefe, o general da reserva Braga Netto. A troca foi confirmada por fontes da campanha, que afirmaram que a decisão partiu do próprio Flávio, insatisfeito com a queda na popularidade. “Flávio entendeu que era preciso oxigenar o núcleo duro. A comunicação não estava fluindo e a imagem do candidato foi desgastada por declarações mal explicadas”, disse um assessor direto sob anonimato.
Esta é a terceira vez que Flávio altera o comando desde o início da pré-campanha, em janeiro. Antes de Braga Netto, o posto foi ocupado pelo advogado Fabio Wajngarten e pelo empresário Paulo Marinho. As constantes mudanças são vistas por analistas como um sinal de instabilidade e de dificuldade em consolidar uma linha de atuação.
Crise com Michelle Bolsonaro
Nos bastidores, a relação com Michelle Bolsonaro tornou-se um dos principais focos de tensão. A ex-primeira-dama, que tem forte apelo entre o eleitorado evangélico, teria se queixado diretamente a Flávio sobre a ausência de pautas conservadoras na propaganda eleitoral e sobre a pouca ênfase em sua participação nos eventos de campanha. “Ela sente que está sendo subutilizada. Michelle é um trunfo político e não pode ficar em segundo plano”, afirmou um aliado próximo à família Bolsonaro.
A crise teria se agravado após um evento em São Paulo no último fim de semana, quando Michelle teria sido deixada de lado no palanque principal, gerando constrangimento. A assessoria de Flávio nega qualquer atrito, mas fontes confirmam que a ex-primeira-dama pediu reunião com o candidato para discutir os rumos da campanha.
Erros de comunicação digital
Outro fator que pesou na decisão foi o desempenho fraco nas redes sociais. Dados internos da campanha mostram que o engajamento de Flávio no Instagram e no Twitter (agora X) caiu 37% em julho, enquanto adversários como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ex-ministro Sergio Moro (União Brasil) ampliaram seu alcance digital. “A comunicação errou ao não responder rapidamente a ataques e ao tratar temas polêmicos, como a reforma tributária, sem clareza”, reconheceu um estrategista da equipe.
Pesquisa divulgada pelo instituto Paraná Pesquisas na segunda-feira, 28 de julho, mostrou Flávio com 28% das intenções de voto, contra 22% de Tarcísio e 18% de Moro. Em maio, o senador liderava com 32%, o que representa uma perda de 4 pontos percentuais em dois meses. Especialistas atribuem a queda justamente aos erros de comunicação e à crise interna.
Reações e próximos passos
Em nota oficial, a campanha de Flávio afirmou que a troca “visa fortalecer a coordenação e modernizar a estratégia de comunicação”. Carlos Jordy, novo coordenador, prometeu “diálogo aberto com todos os setores da base aliada, especialmente com as lideranças evangélicas”. Já Michelle Bolsonaro, procurada, não se manifestou.
Para o cientista político Antônio Lavareda, a instabilidade na campanha de Flávio é preocupante. “Trocar o comando por três vezes em menos de um ano mostra falta de planejamento e pode alienar eleitores. O tempo está correndo contra.” A eleição está marcada para 4 de outubro, e as convenções partidárias ocorrem a partir de 20 de agosto.



