Justiça de Franca torna sete réus por sequestro de família de caseiro
Justiça de Franca torna sete réus por sequestro de família de caseiro

A Justiça de Franca (SP) aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou sete pessoas rés pelo sequestro e cárcere privado dos familiares do caseiro Milton de Sousa Prado, morto em junho deste ano. A decisão, assinada pela 3ª Vara Criminal de Franca nesta quinta-feira (30), também decretou a prisão preventiva de três mulheres e converteu a prisão de outras duas em domiciliar. Uma das principais articuladoras do crime, Noemi Vitória de Sousa Rosa, permanece foragida.

Quem são os réus

Foram recebidas as denúncias contra Ana Laura de Sousa Rosa Alves, Kauany Eduarda Melo Cruz, Kelly Cristina Queiroz, Larissa Jhenifer Melo de Paula, Marcela Eduarda Melo de Paula, Noemi Vitória de Sousa Rosa e Wellington Amorim da Silva. Wellington foi preso em flagrante no cativeiro no dia 7 de julho. Segundo a decisão judicial, há provas da materialidade e indícios suficientes de autoria para que todos respondam ao processo por sequestro e cárcere privado.

Prisões decretadas e medidas cautelares

O juiz decretou a prisão preventiva de Marcela Eduarda Melo de Paula, Larissa Jhenifer Melo de Paula e Kauany Eduarda Melo Cruz. Na decisão, o magistrado destacou que a medida é necessária para garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal e para assegurar a aplicação da lei penal. Já para Ana Laura de Sousa Rosa Alves e Kelly Cristina Queiroz, a Justiça reconheceu os requisitos da prisão preventiva, mas substituiu por prisão domiciliar, considerando que ambas têm filhos menores. Elas deverão cumprir recolhimento domiciliar integral, usar monitoração eletrônica, não manter contato com vítimas e testemunhas e comparecer a todos os atos do processo.

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Noemi Vitória segue foragida

Noemi Vitória de Sousa Rosa é apontada pela investigação como uma das principais articuladoras do sequestro. Segundo a decisão, ela teria coordenado cobranças pelo paradeiro de Rafael Vitor Silva de Sousa Rosa e Guilherme Henrique Melo da Cruz, determinado a restrição de liberdade da família, ficado com celulares das vítimas e com a chave do carro de Maria Isabel Prado. A prisão preventiva de Noemi já havia sido decretada anteriormente, mas, conforme o delegado responsável pelo caso, ela não foi presa e continua foragida.

Os fatos do sequestro

De acordo com a decisão judicial, após o desaparecimento de Rafael e Guilherme, familiares atribuíram à família de Milton conhecimento sobre o paradeiro dos dois jovens e organizaram uma ação para localizá-los. Em 5 de julho, Noemi e outras mulheres foram até a casa da família, obrigaram as vítimas a entregar celulares e senhas e as conduziram por diferentes locais de Franca para interrogá-las. No dia seguinte, o grupo levou as vítimas para uma casa na Rua Madre Maria Vilac, no Jardim Aeroporto III. A mãe de Maria Isabel, a irmã adolescente dela e uma bebê recém-nascida foram encontradas no imóvel pela Polícia Civil no dia 7 de julho. Maria Isabel também aparece no processo como vítima do sequestro. Segundo a Justiça, ela foi levada por Noemi e outras mulheres antes do resgate das demais vítimas e permanece desaparecida. O carro dela foi encontrado incendiado.

Contexto do caso

Milton de Sousa Prado foi morto em 16 de junho em Franca. Segundo a Polícia Civil, Maria Isabel confessou ter chamado Rafael e Guilherme para “dar um susto” no pai, mas a agressão terminou com a morte do caseiro. Depois disso, Rafael e Guilherme desapareceram e foram encontrados mortos em Sacramento (MG). As mortes de Milton, Rafael e Guilherme, além do desaparecimento de Maria Isabel, são investigados em procedimentos separados. A decisão desta quinta-feira trata apenas do sequestro e cárcere privado da família de Milton. A Justiça também determinou o arquivamento das apurações por associação criminosa e roubo neste processo, seguindo manifestação do Ministério Público, por falta de elementos suficientes. Também foram arquivadas as suspeitas de resistência e falsa identidade atribuídas a Wellington. Com isso, a ação penal segue pelo crime de sequestro e cárcere privado. Os réus devem ser citados para apresentar resposta à acusação no prazo de dez dias.

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