O Ibovespa fechou em alta de 1,2% nesta quarta-feira, aos 130.200 pontos, impulsionado por sinalizações positivas sobre o ajuste fiscal no Brasil e pelo desempenho favorável dos mercados externos. O dólar comercial recuou 0,8%, cotado a R$ 5,10, refletindo o fluxo de capital estrangeiro e a melhora na percepção de risco.
Otimismo fiscal sustenta alta
O mercado reagiu positivamente às declarações do ministro da Fazenda sobre a meta de déficit zero em 2025. Segundo o ministro, o governo está comprometido com a responsabilidade fiscal e estuda medidas para aumentar a arrecadação sem elevar impostos. "Estamos ajustando as contas para garantir a sustentabilidade da dívida", afirmou em evento em São Paulo.
O mercado também digeriu a aprovação do marco fiscal no Congresso, que estabelece limites para o crescimento dos gastos públicos. A medida foi vista como um passo importante para a credibilidade fiscal do país.
Exterior positivo e commodities
Lá fora, Wall Street fechou em alta, com o S&P 500 subindo 0,5%, apoiado por dados de inflação nos EUA abaixo do esperado. O índice de preços ao consumidor de junho subiu 0,1%, ante expectativa de 0,2%, reforçando a aposta em cortes de juros pelo Federal Reserve ainda este ano.
As commodities também contribuíram para o desempenho do Ibovespa. O minério de ferro subiu 2,3% na bolsa de Dalian, impulsionando as ações da Vale, que avançaram 1,8%. A Petrobras ganhou 0,9%, acompanhando a alta do petróleo no mercado internacional.
Dólar cai com fluxo estrangeiro
O dólar caiu para o menor nível em três semanas, influenciado pela entrada de recursos estrangeiros na Bovespa. Dados da B3 mostraram que o saldo líquido de investimentos estrangeiros em ações no mês de julho está positivo em R$ 2,5 bilhões. "O fluxo de capital para a bolsa brasileira reflete a busca por retorno em um cenário de juros globais em queda", disse o estrategista-chefe de um banco de investimentos.
A taxa de câmbio também foi beneficiada pela redução do prêmio de risco, com o CDS de 5 anos caindo 5 pontos-base, para 120 pontos.
Juros futuros recuam
No mercado de juros, as taxas futuras fecharam em baixa, acompanhando o movimento externo e a expectativa de cortes na Selic. O DI para janeiro de 2025 caiu de 11,30% para 11,20%, enquanto o DI para janeiro de 2027 recuou de 11,80% para 11,65%. A pesquisa Focus mostrou que a mediana das projeções para a Selic no fim de 2024 caiu de 10,50% para 10,25%.
Perspectivas
Analistas avaliam que o mercado deve continuar atento aos desdobramentos fiscais e à comunicação do Banco Central. A ata da última reunião do Copom, divulgada nesta manhã, indicou que o comitê está confiante na convergência da inflação para a meta, mas destacou a importância do cumprimento das metas fiscais para ancorar as expectativas.
O Ibovespa acumula alta de 8% no ano, impulsionado pelo fluxo estrangeiro e pela perspectiva de juros mais baixos. No entanto, o cenário político e as eleições municipais podem trazer volatilidade nos próximos meses.



