B3 e Nu Asset lançam ETFs de Tesouro IPCA com prazo-alvo fixo
B3 e Nu Asset lançam ETFs de Tesouro IPCA com prazo-alvo

A B3 lançou nesta quinta-feira (16), em parceria com a Nu Asset, três índices que acompanham carteiras de Tesouro IPCA com prazo médio estipulado de 2 anos, 5 anos e 10 anos. Em paralelo, a gestora do Nubank anunciou o lançamento de três ETFs (fundos de índice) ligados aos indicadores: o NB0211, o NB0511 e o NB1011, disponíveis para negociação a partir de sexta-feira (17).

Novos índices com rebalanceamento trimestral

Os novos índices terão carteiras teóricas rebalanceadas trimestralmente, nos meses de janeiro, abril, julho e outubro. O lançamento aumenta a carteira de índices de renda fixa da B3, que já tinha indicadores ligados a debêntures, Tesouro Selic e Letras Financeiras (LFs).

Diferencial dos ETFs com prazo-alvo constante

Diferentemente dos ETFs de inflação tradicionais, que seguem índices amplos como o IMA-B e cujo prazo médio estipulado varia ao longo do tempo conforme as emissões do Tesouro Nacional, os fundos da Nu Asset buscam um prazo-alvo constante. “Isso traz previsibilidade em relação ao comportamento dos ETFs”, afirma Andrés Kikuchi, CEO e CIO na gestora.

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Estrutura dos índices e benefícios

A estrutura dos novos índices da B3 concentra 50% da carteira em um “título âncora”, que é o papel com prazo mais próximo do objetivo. Os outros 50% são distribuídos entre quatro títulos complementares de Tesouro IPCA, adjacentes ao prazo-alvo. Como os novos fundos não concentram a carteira em um único título atrelado à inflação, choques em um papel específico têm impacto reduzido sobre o desempenho do ETF. Os produtos têm taxa global de 0,19% ao ano e cota inicial de R$ 50. Além disso, há uma alíquota única de 15% de Imposto de Renda (IR).

Boom dos ETFs de renda fixa no Brasil

Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que os ETFs tiveram uma captação líquida de R$ 32,5 bilhões no primeiro semestre de 2026, um salto de 537,25% em relação ao observado no mesmo período de 2025. A classe foi impulsionada principalmente pelos fundos de renda fixa, responsáveis por R$ 27,1 bilhões em entradas neste ano.

Diferentes gestoras lançaram ETFs de renda fixa associados a títulos públicos em 2026. Esses fundos têm vantagens tributárias, como a isenção de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e come-cotas, uma antecipação semestral do IR que reduz automaticamente a quantidade de cotas do investidor em fundos tradicionais, nos meses de maio e novembro.

Além disso, na maior parte dos ETFs de renda fixa, é aplicada uma alíquota única de IR de 15%, independentemente do prazo da aplicação, ao contrário da tabela regressiva da renda fixa tradicional, que varia de 22,5% a 15% conforme o tempo de investimento. Isso é possível porque, nesses fundos, a tributação não depende do tempo em que o investidor permanece com a aplicação, mas do prazo médio dos títulos que compõem a carteira. Como muitos desses ETFs investem em ativos de prazo mais longo, o investidor já tem acesso à alíquota mínima de 15% de IR, mesmo que compre a cota hoje e venda amanhã.

Indústria de ETFs completa 22 anos no Brasil

O anúncio dos novos fundos da Nu Asset ocorreu na semana em que a indústria de ETFs está completando 22 anos no Brasil, superando 190 fundos listados. Mais de duas décadas após a chegada desse mercado no Brasil, gestores apontam desafios e oportunidades para a próxima fase da indústria.

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