O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou duramente as gigantes do petróleo Chevron e ExxonMobil, afirmando que elas estão lucrando excessivamente com a alta dos preços do petróleo. A declaração foi feita em meio a um cenário de preços elevados de combustíveis, que tem pressionado consumidores e gerado debates sobre a atuação das petroleiras.
Na mesma semana, a BP, uma das maiores petroleiras do mundo, reportou um lucro que mais que dobrou no último trimestre, impulsionado pela valorização do barril de petróleo. A notícia reforça a percepção de que o setor está colhendo ganhos recordes enquanto famílias enfrentam custos crescentes.
Lucros recordes no setor de petróleo
Dados divulgados pela BP mostram que o lucro líquido ajustado atingiu US$ 8,2 bilhões no segundo trimestre de 2026, mais que o dobro dos US$ 3,9 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. O resultado superou as expectativas de analistas, que projetavam lucro em torno de US$ 6,5 bilhões.
A Chevron e a ExxonMobil também devem apresentar resultados robustos nas próximas semanas, mas Trump já adiantou sua insatisfação. Em comício na Flórida, ele afirmou: "Essas empresas estão lucrando demais às custas do povo americano. É inaceitável que o preço da gasolina continue alto enquanto elas embolsam bilhões."
Impacto nos preços dos combustíveis
O preço médio da gasolina nos EUA está em torno de US$ 4,20 por galão, próximo das máximas históricas. Especialistas apontam que a alta é resultado de fatores como a recuperação econômica global, tensões geopolíticas e cortes de produção da Opep+. No entanto, críticos argumentam que as petroleiras estão aproveitando para aumentar margens.
Segundo o analista de energia John Smith, da consultoria Petrolink, "os lucros recordes refletem a combinação de preços altos com custos operacionais estáveis. As empresas estão se beneficiando de um ambiente favorável, mas isso gera pressão política."
Reações do governo e da indústria
A Casa Branca já havia pedido que as petroleiras aumentassem a produção para aliviar os preços, mas sem sucesso. Trump, que já foi aliado do setor, agora adota tom mais crítico, possivelmente visando as eleições de meio de mandato. A indústria, por sua vez, defende que os lucros são necessários para investir em novas tecnologias e garantir a segurança energética.
Em comunicado, a Chevron afirmou que "os investimentos em exploração e produção são de longo prazo e geram empregos e energia acessível". Já a Exxon destacou que "os lucros permitem retornos aos acionistas e financiam projetos de transição energética".
Perspectivas futuras
Analistas preveem que os preços do petróleo devem permanecer elevados no curto prazo, mantendo a pressão sobre consumidores e governos. A BP, por exemplo, anunciou que vai aumentar dividendos e recompra de ações, o que pode intensificar as críticas.
O debate sobre a tributação de lucros extraordinários do setor pode ganhar força, especialmente na Europa, onde alguns países já implementaram taxas sobre ganhos inesperados. Nos EUA, a discussão é mais acirrada, mas a pressão popular pode levar a medidas.
Enquanto isso, consumidores seguem lidando com preços altos, e a opinião pública tende a apoiar ações que limitem os ganhos das petroleiras. A situação coloca as empresas na berlinda e pode impactar suas estratégias de comunicação e investimento.



