IPCA-15 sobe 0,06% em julho, menor taxa para o mês desde 2023
IPCA-15 sobe 0,06% em julho, menor taxa desde 2023

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,06% em julho, o menor resultado para o mês desde 2023, quando a variação foi de 0,08%. O dado, divulgado nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), veio abaixo da mediana das expectativas do mercado, que projetava avanço de 0,12%.

Alimentos e transportes puxam desaceleração

A desaceleração em relação a junho (0,39%) foi influenciada principalmente pelos grupos Alimentação e bebidas (-0,47%) e Transportes (-0,29%). No caso dos alimentos, destaque para a queda nos preços das carnes (-2,1%) e do leite longa vida (-4,3%). Já nos transportes, a redução refletiu a queda nas passagens aéreas (-8,5%) e nos combustíveis (-0,8%).

Segundo o gerente do IPCA, André Almeida, a desaceleração foi generalizada entre os grupos pesquisados. "Em julho, tivemos uma combinação de fatores que contribuíram para a taxa mais baixa, desde a oferta mais favorável de alimentos até a redução nos preços de serviços de transporte", afirmou.

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Acumulado em 12 meses

Com o resultado de julho, o IPCA-15 acumula alta de 3,94% nos últimos 12 meses, abaixo dos 4,12% registrados no mês anterior. O indicador segue dentro da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3,5% com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

No acumulado no ano, de janeiro a julho, o índice soma 2,58%. Em julho de 2025, o IPCA-15 havia subido 0,22%.

Impacto na política monetária

A leitura mais branda da inflação reforça expectativas de que o Banco Central possa manter ou até reduzir a taxa Selic, atualmente em 10,50% ao ano. A autoridade monetária tem sinalizado que o movimento dos preços será determinante para o ritmo de afrouxamento monetário.

"O IPCA-15 de julho abre espaço para uma redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, em agosto", avaliou a economista-chefe da XP Investimentos, Tatiana Nogueira. Ela ressalta, porém, que o cenário externo e as expectativas de inflação futura ainda devem ser monitorados.

Variação por itens

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, cinco tiveram queda. Além de Alimentação e Transportes, registraram recuo os grupos Comunicação (-0,03%), Despesas pessoais (-0,09%) e Educação (-0,02%). Os maiores avanços vieram de Habitação (0,41%), influenciado pelo reajuste nas tarifas de energia elétrica, e Saúde e cuidados pessoais (0,32%), com alta nos preços de planos de saúde.

O IPCA-15 é calculado com base em uma cesta de consumo das famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos, nas principais regiões metropolitanas do país. O índice é considerado uma prévia da inflação oficial, o IPCA, que será divulgado em agosto.

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