O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de julho registrou alta de apenas 0,06%, surpreendendo o mercado que esperava um número mais elevado. O resultado, divulgado no dia 28 de julho de 2026, aumenta as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduzirá a taxa Selic na próxima reunião, possivelmente em 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica de juros para 14% ao ano.
Queda nos preços de alimentos e combustíveis impulsiona desaceleração
O principal motor para o IPCA-15 abaixo do esperado foi o recuo nos preços dos alimentos em domicílio, que caíram 1,14% no mês, e dos combustíveis, que também apresentaram queda significativa. Segundo Miriam Leitão, colunista do jornal O Globo, a desaceleração da inflação reflete tanto a melhora na oferta de alimentos quanto a recente redução nos preços do petróleo no mercado internacional. Esses fatores contribuíram para que o índice ficasse bem abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que apontava para uma alta de 0,12%.
Mercado eleva chance de corte de 0,25 ponto na Selic
Com o IPCA-15 surpreendendo para baixo, os agentes financeiros aumentaram as expectativas de que o Copom irá cortar a Selic na reunião da próxima semana. Atualmente, a taxa está em 14,25% ao ano. Um corte de 0,25 ponto percentual a levaria a 14,00%. Essa seria a primeira redução desde o início do ciclo de aperto monetário em 2024. No entanto, a decisão final dependerá de outros fatores, como o comportamento do câmbio e as expectativas de inflação futura.
Incertezas externas e preço do petróleo podem influenciar decisão do Copom
Apesar do dado favorável, analistas alertam que o cenário internacional ainda traz riscos. A volatilidade no preço do petróleo, influenciada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, e a política monetária dos Estados Unidos são pontos de atenção. Se o petróleo subir novamente, isso pode pressionar os combustíveis e reverter parte da desaceleração. Além disso, a ata da última reunião do Fed (banco central americano) mostrou cautela em relação à inflação, o que pode impactar os mercados emergentes como o Brasil.
Impacto no bolso do consumidor e na economia real
A desaceleração da inflação traz alívio para o consumidor, especialmente no que diz respeito aos alimentos e combustíveis, itens de grande peso no orçamento familiar. Se o corte de juros se concretizar, também pode estimular o consumo e o investimento, ajudando a economia a crescer. No entanto, é preciso cautela, pois a inflação de serviços ainda se mantém elevada, e o Copom deve monitorar a evolução dos núcleos de inflação antes de tomar uma decisão definitiva.
Próximos passos: reunião do Copom e projeções de mercado
A reunião do Copom está marcada para os dias 4 e 5 de agosto de 2026. O mercado estará atento não apenas à decisão sobre a taxa, mas também ao comunicado e à ata, que podem sinalizar os próximos passos da política monetária. Segundo a colunista Miriam Leitão, a aposta majoritária é de um corte de 0,25 ponto, mas há quem defenda uma redução maior, de 0,50 ponto, dado o cenário de inflação controlada. Contudo, a maioria dos analistas acredita que o Copom agirá com cautela, avaliando os dados de julho integral e as projeções para os próximos meses.
Em suma, o IPCA-15 de julho deu um sinal positivo para a inflação, mas a decisão final sobre os juros dependerá de uma análise mais ampla do cenário econômico doméstico e internacional.



