O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,06% em julho, resultado inferior à mediana das expectativas do mercado, que projetava alta de 0,09%. A prévia da inflação oficial acumula 4,45% nos últimos 12 meses, ainda acima do centro da meta de 3,00%, mas em trajetória de desaceleração.
Composição do índice
Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, seis registraram alta em julho. O maior impacto veio de Habitação (0,42%), puxado pelo aumento da energia elétrica residencial (0,82%). Alimentação e bebidas tiveram alta de 0,16%, enquanto Saúde e cuidados pessoais subiram 0,14%. Por outro lado, Transportes recuaram 0,43%, influenciados pela queda nos preços das passagens aéreas e dos combustíveis.
Núcleos e serviços
Os núcleos da inflação — que excluem itens mais voláteis — mostraram alívio. O índice de difusão caiu para 58% dos itens com alta, ante 60% em junho. Os preços de serviços subiram 0,22%, desacelerando em relação ao mês anterior. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação de serviços subjacentes (excluindo alimentação e energia) passou de 0,28% em junho para 0,18% em julho.
Impacto para a política monetária
O resultado abaixo do esperado reforça a visão de que o Banco Central pode manter a taxa Selic no nível atual de 10,50% ao ano por mais tempo. Economistas consultados apontam que a desaceleração dos núcleos e a queda dos serviços reduzem a urgência de um aperto adicional. No entanto, a inflação de serviços ainda preocupa, e o BC deve aguardar os próximos dados para definir os rumos da política monetária.
Reação dos mercados
Após a divulgação do IPCA-15, os juros futuros recuaram levemente na Bolsa, enquanto o Ibovespa futuro operava em alta de cerca de 0,5%. O dólar comercial mantinha estabilidade, cotado a R$ 5,63. Analistas do banco BTG Pactual destacaram que 'o número veio benigno e deve aliviar a pressão sobre o Banco Central para elevar a Selic nas próximas reuniões'.
O IPCA-15 de julho confirma a tendência de desinflação gradual, mas o patamar ainda elevado dos serviços e a resiliência do mercado de trabalho mantêm o Copom em estado de alerta. A próxima reunião do comitê está marcada para 31 de julho e 1 de agosto.



