O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) na cidade de São Paulo, apresentou uma variação de -0,03% em julho, surpreendendo o mercado que esperava uma alta de 0,10%. Com esse resultado, o indicador acumula uma inflação de 3,60% nos últimos 12 meses, dentro da meta perseguida pelo Banco Central.
Composição do índice
Dos sete grupos que compõem o IPC-Fipe, quatro registraram queda em julho. O grupo de Transportes foi o principal responsável pelo recuo, com variação de -0,86%, influenciado pela redução nos preços dos combustíveis. Habitação também contribuiu negativamente, com -0,42%, puxado pela queda na tarifa de energia elétrica. Alimentação e Despesas Pessoais tiveram pequenas variações negativas, de -0,12% e -0,05%, respectivamente.
Por outro lado, os grupos de Saúde, Vestuário e Educação apresentaram altas, com variações de 0,45%, 0,38% e 0,12%, respectivamente. Os reajustes de planos de saúde e os aumentos sazonais em vestuário foram os destaques positivos.
Impacto na política monetária
O resultado do IPC-Fipe reforça o cenário de inflação controlada, o que pode influenciar as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) em sua próxima reunião. O mercado já precifica um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, levando-a para 14% ao ano. Apesar disso, analistas divergem sobre a possibilidade de novos cortes até o fim do ano, considerando as incertezas fiscais e o cenário externo.
Segundo economistas consultados, a queda nos preços de alimentos e combustíveis tem sido fundamental para a trajetória benigna da inflação. "O IPC-Fipe confirma a desaceleração dos preços, mas é preciso cautela com os núcleos, que ainda mostram resistência", afirma um analista da XP Investimentos.
Comparação com outros índices
O IPC-Fipe é um dos índices de inflação mais acompanhados pelo mercado, por refletir o custo de vida das famílias paulistanas com renda entre 1 e 20 salários mínimos. Em junho, o índice havia registrado alta de 0,12%. A variação acumulada no ano é de 2,18%, também abaixo das projeções iniciais.
Em contrapartida, o IPCA, índice oficial de inflação do país, acumula alta de 3,67% em 12 meses até junho, segundo dados do IBGE. A proximidade entre os dois indicadores reforça a consistência da desaceleração inflacionária.
Perspectivas futuras
Para os próximos meses, a expectativa é de que a inflação continue em trajetória de queda, impulsionada pela safra agrícola e pela estabilidade dos preços internacionais de commodities. No entanto, riscos como a alta do dólar e possíveis choques de oferta podem pressionar os preços no curto prazo.
O Banco Central, em seu último relatório de inflação, projetou uma taxa de 3,9% para 2026, dentro da meta de 3,0% com tolerância de 1,5 ponto percentual. Caso o cenário se confirme, o Copom pode ter espaço para reduzir a Selic de forma mais consistente no próximo ano.
O mercado financeiro reagiu positivamente à notícia, com o Ibovespa operando em alta e o dólar em leve queda. Investidores esperam que a inflação controlada permita ao Banco Central iniciar um ciclo de afrouxamento monetário, o que beneficiaria a bolsa e a economia como um todo.



