O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos desacelerou para 3,0% em junho, na comparação anual, ante 3,3% em maio, bem abaixo da expectativa de 3,1% do mercado. O dado, divulgado nesta quarta-feira pelo Departamento do Trabalho, reduz a pressão sobre o Federal Reserve (Fed) para elevar os juros de forma mais agressiva.
Núcleo da inflação também cede
O núcleo da inflação, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, subiu 3,3% em 12 meses, ante 3,4% no mês anterior, também abaixo do esperado. A queda foi puxada por menores custos de moradia e serviços, enquanto os preços de energia recuaram 2,1% no mês.
Para Thomas Barkin, presidente do Fed de Richmond, "os dados são encorajadores e mostram que a política monetária está fazendo efeito, mas ainda precisamos ver mais progresso para atingir a meta de 2%."
Impacto nos mercados
Após o anúncio, os futuros dos índices de Wall Street operam em alta, com o S&P 500 subindo 0,8%. O dólar caiu frente a moedas fortes, e o rendimento do título de 10 anos recuou para 4,18%. A expectativa de cortes de juros pelo Fed em setembro subiu para 85%, segundo a ferramenta CME FedWatch.
A economista-chefe do Goldman Sachs, Jan Hatzius, afirmou que "o relatório de inflação de junho é um divisor de águas. Se a tendência se mantiver, o Fed pode iniciar um ciclo de afrouxamento já em setembro."
Setores mais afetados
O setor imobiliário foi um dos destaques: o índice de aluguéis equivalentes a proprietários cresceu apenas 0,3% no mês, o menor ritmo em mais de dois anos. Já os preços de automóveis usados caíram 1,5% em junho, enquanto passagens aéreas recuaram 2,3%.
Apesar do alívio, analistas do Bank of America alertam que "o mercado de trabalho ainda apertado pode manter a inflação de serviços elevada. O Fed não deve se apressar em cortar juros."
Perspectivas para o Brasil
Para o Brasil, a desaceleração da inflação americana é positiva, pois reduz a pressão sobre o dólar e permite que o Banco Central tenha mais espaço para cortar a Selic. O real se valorizou 0,7% contra o dólar nesta quarta-feira, cotado a R$ 5,42. A B3 também opera em alta, com o Ibovespa subindo 1,2%.



