IGP-M cai 1,16% em julho e acumula alta de 2,76% em 12 meses, aponta FGV
IGP-M cai 1,16% em julho e acumula 2,76% em 12 meses

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou queda de 1,16% em julho de 2025, conforme divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Com esse resultado, o indicador acumula alta de 2,76% nos últimos 12 meses, mantendo trajetória de desaceleração em relação a períodos anteriores.

Composição do IGP-M e influência do IPA

O IGP-M é composto por três índices: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do total; o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com 30%; e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), com 10%. A forte queda de julho foi puxada principalmente pelo IPA, que recuou 1,98% no mês, ante queda de 0,82% em junho. Segundo a FGV Ibre, o resultado do IPA foi influenciado pela redução nos preços de combustíveis e derivados de petróleo, que registraram deflação significativa no período.

O IPC, por sua vez, subiu 0,27% em julho, após alta de 0,13% em junho, com destaque para o grupo Habitação, que apresentou elevação de 0,96%. Já o INCC avançou 0,15%, acelerando em relação ao mês anterior (0,08%).

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Contexto econômico e perspectivas

A deflação do IGP-M em julho reforça a tendência de arrefecimento dos preços no atacado, que vem sendo observada desde o início do ano. A queda dos combustíveis reflete a redução de impostos e a acomodação das cotações internacionais do petróleo. Para o consumidor final, a desaceleração do IGP-M pode trazer alívio para reajustes contratuais, especialmente em aluguéis, que utilizam o índice como referência.

Analistas do mercado financeiro apontam que o IGP-M acumulado em 12 meses (2,76%) está abaixo da meta de inflação do Banco Central, que é de 3,0% para o ano. No entanto, a volatilidade dos preços de commodities e a política fiscal do governo ainda são fatores de atenção para os próximos meses.

Histórico recente do indicador

Em junho, o IGP-M havia caído 0,22%, após alta de 0,73% em maio. A sequência de quedas mensais consolida a perspectiva de que a inflação ao produtor perdeu força, embora os preços ao consumidor ainda apresentem resistência. A FGV Ibre destacou que o resultado de julho foi o menor para o mês desde 2020, quando o índice caiu 1,35%.

Para o acumulado de 2025, o IGP-M acumula alta de aproximadamente 1,5% até julho, bem abaixo dos 4,5% registrados no mesmo período de 2024. A tendência é de que o índice feche o ano com variação inferior à de 2024, beneficiado pela desoneração de combustíveis e pela safra agrícola favorável.

Impacto sobre contratos e investimentos

O IGP-M é amplamente utilizado para reajuste de aluguéis, contratos de energia elétrica, planos de saúde e tarifas de serviços públicos. A deflação recente pode reduzir o custo de vida para inquilinos e empresas que dependem de contratos indexados. Por outro lado, investidores que aplicam em títulos atrelados ao IGP-M podem observar retornos menores no curto prazo.

A FGV Ibre alerta, no entanto, que a trajetória do índice depende de fatores externos, como o preço do petróleo no mercado internacional e a cotação do dólar. A continuidade da política de contenção de gastos do governo federal também será determinante para manter a inflação sob controle.

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