Rússia inclui fundador do Telegram Pavel Durov em lista de terroristas e extremistas
Rússia coloca Pavel Durov, do Telegram, em lista de terroristas

A Rússia incluiu nesta quinta-feira (30) o fundador e CEO do Telegram, Pavel Durov, na lista de terroristas e extremistas, conforme informou a agência estatal russa Ria Novosti. A designação foi feita pela agência de monitoramento financeiro do país, a Rosfinmonitoring, e representa um novo capítulo na investida do governo de Vladimir Putin contra o empresário.

Acusações formais e mandado internacional

No dia anterior, o governo russo já havia acusado formalmente Durov de “facilitar atividades terroristas ucranianas” e emitido um mandado internacional de prisão. O Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia afirmou que as acusações decorrem da suposta falha do Telegram em remover conteúdos “utilizados por serviços especiais ucranianos e por organizações terroristas e extremistas para preparar e coordenar atos de sabotagem e terrorismo, massacres e operações de fraude cibernética dentro da Federação Russa”.

Pouco depois do anúncio, a conta oficial do Telegram na rede social X publicou uma imagem de Durov fazendo um gesto obsceno com o dedo médio. Até o momento, nem Durov nem o aplicativo de mensagens se pronunciaram publicamente sobre as acusações.

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Contexto da guerra e uso do Telegram

O Telegram, aplicativo de mensagens criptografadas fundado em 2013, afirma ter mais de 1 bilhão de usuários e é amplamente utilizado por ambos os lados no conflito entre Rússia e Ucrânia. Nos últimos anos, o governo Putin tem tentado restringir o uso do Telegram no país e promovido seu próprio serviço estatal, o Max. Apesar disso, órgãos estatais, como o Kremlin e o Ministério da Defesa, continuam a publicar conteúdos diariamente na plataforma.

Durov, nascido na Rússia, possui atualmente passaportes dos Emirados Árabes Unidos e da França. Ele fundou a rede social VKontakte —o equivalente russo do Facebook— antes de vender sua participação restante em 2014, sob pressão das autoridades russas.

Investigações na França e histórico recente

Durov também é investigado por autoridades francesas sob acusações de que o Telegram não combateu adequadamente atividades criminosas na plataforma e não cooperou suficientemente com pedidos das forças de segurança. Ele nega irregularidades. Em agosto de 2024, Durov chegou a ser preso na França, mas foi solto poucos dias depois. Seu paradeiro atual é desconhecido.

O anúncio da Rússia ocorre após um jornal estatal russo reportar, em fevereiro, que Durov estava sob investigação em um caso relacionado ao terrorismo. Em abril, Durov publicou no Telegram que uma intimação para o “Suspeito P.V. Durov” havia sido entregue a um apartamento em Moscou onde ele morou há 20 anos. “Eles devem estar suspeitando que eu defendo os artigos 29 e 23 da Constituição russa — que garantem a liberdade de expressão e o direito à correspondência privada. Orgulhoso de ser culpado!”, escreveu.

Uma publicação de 16 de maio em seu canal no Telegram indicava que ele estava em Dubai. Em 23 de julho, ele escreveu que estava “muito impressionado com a Geórgia” e que esperava “voltar muito em breve”.

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