O Ministério da Fazenda já trabalha com cenários de inflação acima da meta para 2026, tendo como principal fator de risco o fenômeno climático El Niño. A informação foi revelada por fontes da equipe econômica, que monitoram os impactos do evento sobre os preços de alimentos e energia elétrica.
Impacto do El Niño nos preços
De acordo com as projeções internas da Fazenda, o El Niño pode elevar o IPCA em até 0,5 ponto percentual em 2026, pressionando especialmente itens como carnes, grãos e tarifas de energia. O fenômeno, que deve se intensificar a partir do segundo semestre de 2026, tende a reduzir a oferta de alimentos e aumentar o custo da energia hidrelétrica devido à menor vazão dos rios.
O secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, afirmou que “o El Niño é uma variável que estamos acompanhando com atenção, pois pode comprometer o esforço de convergência da inflação para a meta”. A meta para 2026 é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.
Cenário fiscal e monetário
Além do clima, a Fazenda considera o impacto de possíveis ajustes fiscais e da política monetária. Com a Selic atualmente em 10,5% ao ano, o Banco Central já sinalizou que pode elevar os juros caso a inflação mostre sinais de persistência. A combinação de juros altos e inflação pressionada pode frear o crescimento econômico, que deve ser de 2,2% em 2026, segundo o boletim Focus.
O ministro Fernando Haddad declarou que “o governo está preparado para adotar medidas de mitigação, como reforço de estoques reguladores e incentivos à produção agrícola”. No entanto, especialistas apontam que ações estruturais são limitadas diante de um fenômeno climático de grande escala.
Projeções de mercado
O mercado financeiro já precifica uma inflação de 4,1% para 2026, acima do teto de 4,5% da meta. O relatório Focus mais recente indica que a mediana das projeções para o IPCA subiu pela quarta semana consecutiva, refletindo as preocupações com o El Niño. A Fazenda, porém, mantém a estimativa oficial de 3,8%, mas reconhece que o risco é assimétrico.
Segundo o boletim, a probabilidade de estouro da meta é de 40%, contra 20% no início do ano. O cenário externo também contribui, com a alta do dólar e dos preços internacionais de commodities.
Medidas do governo
Para conter os efeitos, o governo estuda ampliar subsídios para a conta de luz e reduzir impostos sobre alimentos. Uma reunião entre os ministérios da Fazenda, Agricultura e Minas e Energia está agendada para a próxima semana. A expectativa é que sejam anunciadas medidas emergenciais antes do pico do El Niño, previsto para outubro de 2026.
O presidente Lula foi informado sobre o cenário e determinou prioridade à coordenação interministerial. A oposição, no entanto, critica a falta de planejamento e cobra transparência nas projeções.



