Deflação do IGP-10 não deve durar com guerra tarifária e El Niño no horizonte, diz FGV
Deflação do IGP-10 não deve durar, diz FGV

O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) registrou deflação de 0,28% em julho, após queda de 0,10% em junho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (17) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado veio abaixo das expectativas do mercado, que projetava estabilidade. No acumulado em 12 meses, o indicador acumula alta de 2,12%.

Componentes do índice mostram quedas disseminadas

Dos três subíndices que compõem o IGP-10, dois apresentaram deflação: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) caiu 0,51% e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) recuou 0,08%. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,18% no período. A deflação do IPA foi puxada principalmente pelos preços das commodities agrícolas e minerais, que caíram com a desaceleração da economia global.

FGV alerta para riscos de curto prazo

Apesar do alívio momentâneo, a FGV ressalta que o cenário é incerto. “A deflação do IGP-10 não deve se prolongar, pois há riscos significativos no horizonte”, afirmou André Braz, coordenador dos índices de preços da FGV. Ele destacou que a guerra tarifária entre Estados Unidos e China, que se intensificou nas últimas semanas, pode elevar os custos de insumos importados. “Além disso, o fenômeno El Niño, previsto para o segundo semestre, tende a pressionar os preços de alimentos e energia”, completou.

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O economista da FGV também mencionou que a taxa de câmbio, embora tenha se estabilizado recentemente, continua volátil. “Se o dólar voltar a subir, os preços dos produtos importados serão repassados ao consumidor”, explicou. O IGP-10 é um indicador precursor da inflação, pois reflete custos de produção e matérias-primas.

Impacto na política monetária

A deflação do IGP-10 dá algum respiro ao Banco Central, que mantém a taxa Selic em 10,50% ao ano. No entanto, a autoridade monetária deve permanecer cautelosa. “O Copom já sinalizou que não afrouxará a política monetária sem ter certeza de que a inflação está sob controle”, disse Braz. O mercado projeta que a Selic pode cair para 10% até o fim do ano, mas depende da evolução dos preços.

Previsões para o IGP-10

Para agosto, a FGV não descarta nova deflação, mas a magnitude deve ser menor. “O índice pode ficar próximo de zero, com viés de alta”, estimou o coordenador. No acumulado de 2026, a projeção é de alta de 1,8%, abaixo dos 2,5% registrados em 2025. Contudo, os riscos externos podem forçar revisões. “Se o El Niño for forte e a guerra tarifária escalar, podemos fechar o ano com inflação acima de 3%”, concluiu.

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