O consumo de energia elétrica nas residências brasileiras pode crescer 3% ao ano até 2035, segundo projeção da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O aumento é impulsionado principalmente pela maior posse de equipamentos eletroeletrônicos e sistemas de ar-condicionado, reflexo do aumento da renda e da eletrificação de hábitos.
Crescimento acima do PIB
De acordo com o estudo, a taxa de crescimento do consumo residencial supera a projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) no período, que é de 2,5% ao ano. Em 2023, o consumo residencial representou cerca de 28% do total de energia elétrica consumida no país.
"O avanço da renda e a redução do custo de aparelhos como ar-condicionado e refrigeradores explicam boa parte desse aumento", afirma o presidente da EPE, Thiago Barral. Ele destaca que a tendência é de que cada vez mais lares tenham acesso a esses bens.
Ar-condicionado lidera demanda
O estudo aponta que o ar-condicionado será o principal vetor de crescimento, com participação no consumo residencial passando de 17% em 2023 para 24% em 2035. Isso equivale a um aumento de 7 pontos percentuais. Outros equipamentos como televisores, computadores e carregadores de dispositivos móveis também contribuem.
A EPE estima que a posse de ar-condicionado nos domicílios brasileiros suba de 40% para 60% até 2035. Isso significa que cerca de 20 milhões de residências passarão a ter o aparelho, elevando a demanda por energia, especialmente nos horários de pico.
Impacto na rede elétrica
O crescimento do consumo residencial impõe desafios ao sistema elétrico. A necessidade de investimentos em geração, transmissão e distribuição é estimada em R$ 200 bilhões até 2035, segundo cálculos do setor. "Será preciso ampliar a capacidade de oferta e modernizar a rede para evitar sobrecargas", alerta Barral.
Além disso, a eficiência energética ganha destaque. Programas como o Selo Procel e a etiquetagem de equipamentos são fundamentais para mitigar o aumento da demanda. "Cada ponto de eficiência conquistado reduz a necessidade de novos investimentos", completa o presidente da EPE.
Regionalização do consumo
O estudo também revela diferenças regionais. O Norte e o Nordeste devem apresentar as maiores taxas de crescimento, acima de 4% ao ano, devido à maior incidência de calor e ao menor nível atual de eletrificação. Já o Sudeste, com maior base instalada, deve crescer a taxas mais modestas, em torno de 2,5%.
"A expansão do consumo nessas regiões exigirá atenção especial para a capacidade de distribuição", ressalta o estudo. A EPE recomenda planejamento integrado entre os agentes do setor para garantir o atendimento à demanda.
Eletrificação de hábitos
Outro fator relevante é a eletrificação de hábitos, como o uso de veículos elétricos e a substituição de fogões a gás por indução. Embora ainda incipiente, a tendência deve se acelerar após 2030, contribuindo para o aumento do consumo residencial.
"A transição energética passa também pela eletrificação dos lares, o que traz benefícios ambientais, mas requer planejamento", afirma Barral. A EPE projeta que a participação da energia elétrica na matriz energética residencial suba de 45% para 55% em 2035.



