IPCA+8% no Tesouro: oportunidade ou cilada?
Nos últimos dias, investidores que acompanham o Tesouro Direto viram uma taxa rara aparecer: o Tesouro IPCA+ com juros reais de 8% ao ano. Esse nível de remuneração, que não era visto desde o início de 2023, reacendeu o debate sobre se vale a pena travar esse retorno por prazos longos. Mas, segundo especialistas, a decisão não pode se basear apenas na taxa nominal.
O coordenador de renda fixa da Suno Research, Thiago de Paula, explica que o IPCA+8% representa um ganho real muito acima da média histórica de 5% a 6% ao ano. "É uma taxa que compensa o risco de carregar um título de 10, 20 ou 30 anos, mas o investidor precisa ter certeza de que não precisará do dinheiro antes do vencimento", afirma.
Risco de marcação a mercado
O principal cuidado é com a marcação a mercado. Se os juros reais caírem, o título se valoriza; se subirem, o investidor que vender antes pode ter perdas. A analista da Rico, Laís Costa, alerta: "Quem comprou IPCA+ a 6% em 2020 viu o papel cair mais de 20% quando a taxa foi para 8%. O ganho só é garantido se levar até o fim."
Por isso, a recomendação é que esses títulos sejam usados apenas para objetivos de longo prazo, como aposentadoria. Para reserva de emergência ou metas de curto prazo, o melhor é optar por títulos pós-fixados, como o Tesouro Selic.
Mas a taxa de 8% é para todos?
Não necessariamente. O Tesouro IPCA+ é um título híbrido: rende a inflação do período mais uma taxa prefixada. Se a inflação cair, o ganho real pode ser corroído. Além disso, o Imposto de Renda incide sobre o ganho nominal, o que reduz o retorno líquido.
Para quem tem perfil conservador, a taxa de 8% pode parecer tentadora, mas o prazo longo e a volatilidade no curto prazo não combinam com quem pode precisar do dinheiro. Já para investidores com horizonte de 10 anos ou mais, a taxa atual é considerada atrativa pela maioria das casas de análise.
"O IPCA+8% é um convite para o longo prazo, mas não é uma recomendação universal", resume Paula. O ideal é diversificar e alocar apenas uma parte da carteira em títulos atrelados à inflação.



