Os frigoríficos brasileiros estão em alerta com o avanço de barreiras comerciais impostas pela China e pela União Europeia (UE). As medidas, que incluem exigências sanitárias mais rígidas e tarifas adicionais, podem reduzir significativamente as exportações de carne bovina e suína do Brasil, segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO).
China endurece regras sanitárias
A China, maior compradora de carne bovina brasileira, anunciou novas exigências sanitárias para importação de carne in natura. A partir de setembro de 2026, todos os lotes deverão ser certificados por laboratórios credenciados pelo governo chinês, o que pode elevar custos e atrasar embarques. A medida atinge diretamente os frigoríficos brasileiros, que exportaram 1,2 milhão de toneladas de carne bovina para a China em 2025, gerando receita de US$ 6,5 bilhões.
“A China é um mercado crucial para o Brasil. Qualquer barreira adicional pode comprometer a competitividade do nosso produto”, afirma Fernando Sampaio, diretor-executivo da ABRAFRIGO. A entidade estima que as novas regras podem reduzir as exportações em até 15% no curto prazo.
União Europeia impõe tarifas e cotas
Na União Europeia, a preocupação é com a proposta de aumento de tarifas para carne suína brasileira, em resposta a alegações de que o Brasil não cumpre padrões ambientais na produção. A Comissão Europeia estuda elevar a alíquota de importação de 20% para 35%, além de estabelecer cotas máximas anuais. Em 2025, o Brasil exportou 800 mil toneladas de carne suína para a UE, totalizando US$ 2,8 bilhões.
Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a medida pode gerar perdas de US$ 500 milhões por ano. “A UE está usando barreiras não tarifárias para proteger seus produtores. Precisamos de negociação diplomática urgente”, diz Ricardo Santin, presidente da ABPA.
Impactos na economia brasileira
As barreiras comerciais ocorrem em um momento de recuperação do setor, que enfrentou quedas nos preços internacionais em 2025. O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e o quarto de carne suína. Juntas, as exportações para China e UE representam 60% do faturamento externo do setor, que soma US$ 15 bilhões ao ano.
O governo brasileiro já iniciou contatos diplomáticos para reverter as medidas. O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) informou que enviará missões técnicas à China e à UE para discutir as exigências. “Vamos defender os interesses dos produtores brasileiros com base em argumentos técnicos”, declarou o ministro Carlos Fávaro.
Setor busca alternativas
Diante das incertezas, os frigoríficos buscam diversificar mercados. Países como Indonésia, Filipinas e Arábia Saudita têm aumentado as compras de carne brasileira. A ABRAFRIGO estima que as exportações para a Ásia, excluindo China, cresceram 12% no primeiro semestre de 2026. No entanto, a substituição total dos mercados de China e UE é considerada improvável no curto prazo.
A expectativa é que as negociações avancem nos próximos meses, mas o setor permanece em estado de alerta. Qualquer retrocesso nas exportações pode impactar empregos e a balança comercial do país.



