A Comissão Europeia aprovou nesta quarta-feira (15) a versão em comprimido do Wegovy (semaglutida), revolucionando o tratamento da obesidade ao oferecer uma alternativa oral à injeção. A decisão coloca a Novo Nordisk na vanguarda do mercado de medicamentos contra a obesidade, que deve movimentar US$ 100 bilhões até 2030.
Detalhes da aprovação
O Wegovy oral, na dose de 50 mg, foi autorizado para adultos com obesidade (IMC ≥ 30) ou sobrepeso (IMC ≥ 27) com pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso, como diabetes tipo 2, hipertensão ou dislipidemia. O medicamento deve ser tomado uma vez ao dia, 30 minutos antes da primeira refeição, com um copo de água.
Segundo a Novo Nordisk, o comprimido apresentou em ensaios clínicos uma perda de peso média de 15,1% após 68 semanas, comparado a 2,4% com placebo. O perfil de segurança foi consistente com o da versão injetável, com náusea e diarreia como efeitos adversos mais comuns.
Impacto no acesso e no mercado
A aprovação europeia é vista como um passo crucial para ampliar o acesso ao tratamento, já que muitos pacientes preferem comprimidos a injeções. "Esta aprovação representa um avanço significativo para pacientes que lutam contra a obesidade, oferecendo uma opção conveniente e eficaz", afirmou Martin Holst Lange, vice-presidente executivo de Desenvolvimento da Novo Nordisk.
Analistas estimam que o Wegovy oral pode gerar vendas anuais de até US$ 5 bilhões até 2025, complementando as receitas da versão injetável, que já ultrapassaram US$ 10 bilhões em 2025. A aprovação também pressiona concorrentes como Eli Lilly, que desenvolve o Mounjaro (tirzepatida) em versão oral.
Próximos passos
O medicamento será lançado gradualmente nos países da União Europeia, com preço ainda não divulgado. A Novo Nordisk espera que a cobertura por seguros de saúde e sistemas públicos seja negociada nos próximos meses. Nos Estados Unidos, a FDA ainda analisa o pedido de aprovação do Wegovy oral, com decisão esperada para o final de 2026.
A obesidade afeta cerca de 650 milhões de adultos no mundo, segundo a OMS, e é considerada uma epidemia global. A disponibilidade de uma opção oral pode ajudar a reduzir o estigma e melhorar a adesão ao tratamento, especialmente em populações de baixa renda.



