A Justiça de São Paulo determinou a demolição parcial de um prédio de 13 andares anexo ao clube Bahamas, construído pelo empresário Oscar Maroni, em Moema, na zona sul da capital. A medida foi confirmada pela Prefeitura de São Paulo e deverá ser cumprida pelos herdeiros do empresário, que morreu em 2025.
Decisão judicial e multa diária
Em nota, a Procuradoria Geral do Município de São Paulo informou que a ação de pedido de demolição está em fase de cumprimento de sentença. “Houve o falecimento do réu e na última manifestação do Município foi pedida e deferida a intimação do espólio para a cumprir a demolição, sob pena de multa diária de R$ 2.000,00”, diz o comunicado.
A decisão ocorre logo após os filhos de Maroni terem decidido pelo fechamento do Bahamas, uma das casas noturnas mais famosas de São Paulo. Durante três décadas, a boate de luxo atraiu uma clientela de alta renda e se tornou um endereço icônico da busca pelo prazer, como destacava em seu site oficial.
Herdeiros e histórico do imóvel
Maroni deixou quatro filhos, que são seus herdeiros naturais e respondem pelo seu espólio: Aratã, Aruã, Acauã e Aratana. O Estadão entrou em contato com os irmãos e com o advogado que atua no processo, mas ainda não obteve retorno.
O prédio foi construído para abrigar o Oscar’s Hotel, um empreendimento anexo ao Bahamas Club, localizado próximo à cabeceira do Aeroporto de Congonhas. Após o acidente com o avião da TAM, em 2007, a prefeitura entrou com ação por considerar que o imóvel contrariava as regras de zoneamento do entorno do aeroporto. Devido à irregularidade, o município negou o pedido de alvará para funcionamento do hotel.
Disputa judicial e irregularidades
Oscar Maroni e sua mulher, Marisa Vaccari, entraram com mandado de segurança e, em abril de 2013, obtiveram liminar para abrir o hotel. Houve recurso e a medida foi cassada pelo tribunal paulista. O processo tramitou em meio a recursos e impugnações até ser confirmada a ordem de demolição parcial.
A Justiça entendeu que o prédio de 15,8 mil metros quadrados teve um acréscimo irregular de cerca de 255 m² de área construída. Atualmente, o imóvel está com aparência de abandono e cheio de pichações.
Planos para o hotel e polêmicas
Oscar Maroni pretendia transformar o hotel em uma âncora do Bahamas para que os clientes do clube ficassem hospedados nele. O clube recebeu personalidades como o boxeador Mike Tyson. Quando o prédio foi embargado pela prefeitura, o empresário chegou a denunciar ao Ministério Público ter sido alvo de pedido de propina por um diretor municipal para que o imóvel fosse liberado – ele nunca apresentou provas.
Conhecido como “Rei da Noite”, o empresário foi investigado e processado por favorecimento à prostituição. Maroni ficou preso entre agosto e outubro de 2007, chegou a ser condenado em primeira instância, mas foi absolvido das acusações pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Em 2024, a família revelou que o empresário tinha Alzheimer e estava em uma casa de repouso. Ele morreu no dia 31 de dezembro de 2025, aos 74 anos.
Além do hotel e clube em São Paulo, o empresário era dono de uma fazenda de 1,3 mil hectares em Araçatuba, no interior do Estado. A propriedade rural foi invadida em abril de 2018 por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em represália por Maroni ter distribuído cerveja grátis no Bahamas para celebrar a prisão do então ex-presidente Lula.



