Tutor cria instituto após cadela morrer de leishmaniose em Sorocaba
Tutor cria instituto após cadela morrer de leishmaniose

Após perder sua cadela Madalena para complicações da leishmaniose canina, o delegado Murilo Acquaviva Ferreira de Oliveira, morador de Sorocaba (SP), transformou o luto em ação. Junto com a esposa, ele fundou o Instituto Madá, dedicado a conscientizar tutores sobre a prevenção e o tratamento da doença.

O que é a leishmaniose canina

A leishmaniose canina é uma enfermidade grave causada pelo protozoário Leishmania. A transmissão não ocorre por contato direto com o cão infectado, mas sim pela picada do mosquito-palha contaminado, que também pode transmitir o parasita a humanos.

Murilo contou ao g1 que o instituto surgiu logo após a morte de Madalena, em 9 de junho deste ano, após quatro anos de tratamento. A cadela desenvolveu uma complicação renal associada à leishmaniose e não resistiu. "A ideia do instituto é conscientizar a população da necessidade de prevenir essa doença, que é muito complexa de ser tratada, não tem um tratamento definitivo e cada cachorro reage de uma forma", explicou. "A gente teve a ideia do instituto justamente para elevar o nome dela (Madalena) e retribuir para os demais um pouquinho do amor que ela deu para nós", acrescentou.

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A história de Madalena

Madalena chegou à família por acaso, encontrada perdida dentro do condomínio onde Murilo mora, com aproximadamente um ano de idade. Ele passeava com seu outro cão, Zeca, quando a viu. Como parecia bem cuidada, imaginou que tivesse fugido e procurou pelos donos, mas ninguém apareceu, e ele e a esposa a adotaram. "Madalena foi uma cachorra que a gente ganhou de presente na nossa vida, que apareceu por acaso, perdida no nosso condomínio. Na hora, foi amor à primeira vista", destacou.

Com o tempo, a cadela começou a apresentar sintomas como alterações nas fezes, descamação ao redor dos olhos e aumento dos linfonodos. O diagnóstico veterinário confirmou leishmaniose. Murilo conta que Madalena passou por quatro ciclos de tratamento com um medicamento específico, com custo aproximado de R$ 1,5 mil por ciclo. Apesar de viver bem por quatro anos, ela desenvolveu complicações renais. "A gente ficou bastante triste e traumatizado com isso. O tratamento não é fácil porque, além do remédio, ele exige muito do cachorro. É uma doença muito chata de tratar", lamentou. A morte também afetou Zeca, que ficou abatido.

O Instituto Madá

Murilo percebeu que muitas pessoas desconhecem a leishmaniose canina, suas formas de contágio, prevenção e tratamentos. A ideia inicial do instituto é usar redes sociais para divulgar informações. O projeto já tem perfil no Instagram e uma cartilha com orientações básicas. O tutor busca parcerias com veterinários e pretende promover eventos como caminhadas com cães e distribuição de coleiras repelentes, que liberam princípios ativos para matar insetos. "A gente quer fazer isso para que [outros] cachorros não passem mais pelo que a Madalena passou, que foi muito sofrido (...) Eu vejo o cachorro na rua sem a coleira e já vou contar a história, explicar o que aconteceu. A maioria das pessoas não conhece a doença", disse.

O projeto ainda está em fase inicial e não foi oficializado como ONG ou instituto. Murilo explica que a intenção é regularizar a iniciativa e garantir transparência para futuras parcerias ou recursos. "A gente quer honrar o nome dela ajudando outros cachorros, para que a vida da Madá não tenha passado por aqui em vão", acrescentou.

Cuidados contra a leishmaniose

A leishmaniose não tem cura, mas o tratamento existe e é seguro com acompanhamento. A contaminação ocorre quando o mosquito-palha pica um cão infectado e depois outro animal ou pessoa. Sintomas incluem emagrecimento, lesões nos olhos e pele, e crescimento exagerado das unhas. As principais medidas de prevenção são:

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  • Eliminar possíveis criadouros do mosquito-palha, retirando matéria orgânica do quintal e não acumulando lixo;
  • Limpar ambientes com fezes de animais;
  • Usar coleira repelente para cães;
  • Instalar telas nas janelas se o animal fica dentro de casa;
  • Evitar passeios noturnos, pois o mosquito é mais ativo ao anoitecer.