Tatuagem vira atalho para emprego em startup e gera críticas
Tatuagem vira atalho para emprego em startup e gera críticas

A LemonLime, startup de inteligência artificial apoiada pela Y Combinator, gerou uma onda de críticas nas redes sociais após oferecer entrevistas de emprego imediatas a candidatos que aceitassem tatuar a logo da empresa. O episódio ocorreu em uma festa realizada em São Francisco, nos Estados Unidos, logo depois do Startup School, evento anual promovido pela aceleradora Y Combinator. De acordo com informações divulgadas pela empresa, sete pessoas toparam a proposta e ficaram com a marca gravada no corpo.

A oferta partiu do cofundador Jordan Zietz. Em uma publicação no LinkedIn que foi apagada posteriormente, Zietz classificou a empresa como ousada e disse que a companhia não tem medo de inovar. "Somos ousados, assumimos riscos e fazemos coisas que nunca foram feitas antes", afirmou. Na sequência, ele acrescentou: "Estar comprometido com a nossa missão é fundamental. Esse é um pré-requisito para construir o futuro. Se você está entrando em contato para se candidatar a uma vaga, talvez seja bom tomar nota." A mensagem dava a entender que a tatuagem era uma forma de demonstrar comprometimento e, assim, garantir mais chances na seleção.

Além da tatuagem, a LemonLime também ofereceu um salto de paraquedas com o time da empresa para os autores das três publicações sobre a marca mais curtidas no LinkedIn até as 22h do dia do evento. A ação foi pensada para gerar engajamento e dar visibilidade à startup, mas a combinação de uma tatuagem permanente com uma oportunidade de trabalho foi vista como abusiva por muitos.

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Críticas no X e comparação com gado

Fotos da festa vazaram e rapidamente circularam nas redes sociais. No X, internautas reagiram com indignação. "As startups de São Francisco agora estão marcando candidatos como se fossem gado", escreveu um perfil. Outro comentou: "Há pessoas tão desesperadas por um emprego que estão até fazendo tatuagem para conseguir uma vaga". As mensagens mostram como a proposta foi interpretada como uma forma de pressionar pessoas vulneráveis a tomar decisões extremas para conseguir um emprego.

O episódio acontece em um momento em que o mercado de trabalho em tecnologia é altamente competitivo, com muitos profissionais em busca de novas oportunidades. Nesse contexto, a atitude da LemonLime foi vista como ainda mais problemática, por se aproveitar do momento de fragilidade de quem procura recolocação.

Pedido de desculpas e remoção a laser

Depois da repercussão negativa, Jordan Zietz usou o próprio perfil no X para pedir desculpas. "Eu errei. Na nossa festa pós-YC, oferecemos tatuagens gratuitas e dissemos que teríamos prazer em entrevistar quem fizesse uma. O que eu achei que seria uma forma divertida e memorável de conhecer pessoas foi, na realidade, irresponsável, e acabou soando como se estivéssemos condicionando uma tatuagem permanente a uma oportunidade de emprego, o que demonstrou falta de discernimento", escreveu no comunicado. Ele também afirmou que a startup custeará a remoção a laser da tatuagem para os participantes que sentirem "arrependimento tardio".

A oferta de pagar pela remoção foi vista como uma tentativa de reparar o erro, mas não eliminou as críticas. Muitos internautas ainda questionaram a falta de senso da empresa, que, em vez de atrair profissionais qualificados, acabou afastando talentos que não compactuam com esse tipo de prática.

Processo seletivo continua para quem se tatuou

A empresa confirmou à revista Inc. que os sete participantes que fizeram a tatuagem seguem no processo seletivo para vagas nas áreas de inteligência artificial e engenharia. Não está claro se a tatuagem ainda será considerada como um critério de avaliação, mas a permanência no processo surpreendeu algumas pessoas. Para especialistas em RH, a iniciativa levanta um alerta sobre os limites do chamado "recrutamento criativo", que muitas vezes cruza a linha do aceitável ao envolver a integridade física dos candidatos.

A LemonLime, que faz parte do portfólio da Y Combinator, uma das aceleradoras mais respeitadas do mundo, não comentou se mudará suas práticas de seleção. O caso já é considerado um exemplo de como uma ação de marketing pode sair pela culatra quando não se avalia o impacto humano de uma proposta.

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