MP denuncia traficante My Thor por 5 tentativas de homicídio no Rio
MP denuncia My Thor por 5 tentativas de homicídio

O Ministério Público do Rio de Janeiro, por meio do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), denunciou o traficante Marcos Antonio Pereira Firmino da Silva, conhecido como My Thor, por cinco tentativas de homicídio. A denúncia tem como base a operação policial realizada na comunidade Santo Amaro, no Catete, zona sul da capital fluminense, em junho do ano passado. A ação penal foi recebida pela 4ª Vara Criminal da Capital, que também converteu o pedido em prisão preventiva do acusado.

Ordem para atirar contra policiais do Bope

De acordo com a denúncia do Gaesp, My Thor, apontado como chefe do tráfico de drogas na comunidade, ordenou que integrantes da facção efetuassem disparos com o objetivo de conter o avanço de policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope). A ação ocorreu durante uma incursão policial para reprimir o tráfico na região, dominada pelo Comando Vermelho (CV).

Segundo o Ministério Público, os tiros foram direcionados à Rua Luiz Onofre Alves, via onde acontecia uma festa junina que reunia dezenas de moradores, incluindo crianças. Cinco pessoas ficaram feridas. Para o Gaesp, a ordem para atirar colocou de forma proposital em risco a vida de pessoas que participavam do evento, configurando, portanto, as cinco tentativas de homicídio.

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Festa junina como cenário do ataque

A investigação indica que a ação tinha como objetivo dificultar o avanço das equipes policiais durante a operação contra o tráfico de drogas na comunidade do Santo Amaro. A escolha do momento e do local dos disparos, segundo os promotores, demonstra que o acusado agiu com dolo direto, assumindo o risco de matar moradores que estavam em um ambiente de confraternização popular.

O Gaesp sustentou na denúncia que My Thor atuava como líder local da facção e que tinha pleno conhecimento da realização da festa junina na Rua Luiz Onofre Alves. Ainda assim, determinou que seus subordinados atirassem em direção à via, atingindo pessoas que não tinham qualquer envolvimento com a atividade criminosa.

Morte de morador marcou a operação

A operação no Santo Amaro ganhou grande repercussão depois da morte do office-boy Herus Guimarães Mendes da Conceição, de 23 anos, atingido por um disparo durante a ação policial. O caso gerou críticas à atuação dos agentes e motivou investigações conduzidas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil.

Em dezembro do ano passado, o Gaesp denunciou dois policiais militares por homicídio qualificado, ao concluir que o disparo que matou Herus partiu dos agentes. O processo contra os PMs tramita separadamente da ação contra My Thor, que agora responde pelas tentativas de homicídio das cinco pessoas feridas durante a festa junina.

Justiça decreta prisão preventiva

A 4ª Vara Criminal da Capital acolheu os argumentos do Ministério Público e determinou a prisão preventiva de My Thor. A medida foi tomada para garantir a ordem pública e a conveniência da instrução criminal, diante do perfil do denunciado como chefe de uma organização criminosa atuante na região do Catete.

O traficante já era conhecido das autoridades por sua atuação no tráfico de drogas na comunidade Santo Amaro, que fica a poucos metros de pontos turísticos e de grande circulação de pessoas no centro do Rio. A comunidade é dominada pelo Comando Vermelho, facção que mantém forte presença na zona sul da cidade.

Impacto e desdobramentos

O caso reforça o debate sobre a violência urbana no Rio de Janeiro e sobre os riscos impostos à população civil em meio a operações policiais. As cinco vítimas dos disparos ordenados por My Thor foram socorridas e sobreviveram, mas a denúncia ressalta que o atentado poderia ter resultado em mortes, especialmente diante da presença de crianças no local.

As investigações seguem em andamento. O processo contra My Thor será conduzido pela Justiça criminal do Rio, enquanto os responsáveis pela morte de Herus Guimarães Mendes da Conceição responderão em ação separada. A expectativa é de que os depoimentos das vítimas e testemunhas colaborem para o esclarecimento completo dos fatos ocorridos em junho do ano passado.

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