A agência de classificação de risco S&P Global Ratings cortou a perspectiva das notas de crédito da Natura & Co de estável para negativa, refletindo dificuldades operacionais e declínio na receita. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (28) e afeta os ratings 'BB+' e 'brAA+' da companhia.
Motivos do rebaixamento
Segundo comunicado da S&P, a Natura enfrenta gargalos operacionais que impactam a eficiência produtiva e a logística, especialmente nas operações internacionais. A queda na receita, impulsionada por desaceleração nas vendas na América Latina e menor demanda por produtos de beleza, agravou o cenário. A agência destacou que a empresa tem margens comprimidas e fluxo de caixa livre negativo.
Impactos financeiros
A perspectiva negativa indica que a S&P pode rebaixar os ratings da Natura nos próximos 12 a 18 meses caso não haja melhora significativa. A empresa reportou queda de 8% na receita no último trimestre, para R$ 5,2 bilhões, e EBITDA ajustado recuou 12%. “O desempenho operacional da Natura ficou aquém de nossas expectativas, e a recuperação pode ser mais lenta do que o previsto”, afirmou o analista-chefe da S&P, Ricardo Carvalho.
Reação do mercado
As ações da Natura fecharam em baixa de 4,5% na B3, refletindo a preocupação dos investidores. Analistas do Credit Suisse também rebaixaram a recomendação do papel para neutro. A empresa, que controla marcas como Natura, Avon e The Body Shop, enfrenta desafios para integrar operações e reduzir custos.
Próximos passos
A Natura declarou que está implementando um plano de reestruturação, com foco em eficiência operacional e redução de despesas. A meta é gerar economia de R$ 500 milhões anuais até 2027. Contudo, a S&P alertou que a execução do plano é incerta e que a concorrência acirrada no setor de cosméticos pode limitar a recuperação.



