MP-SP apura superlotação e pacientes em corredores no HR de Presidente Prudente
MP-SP investiga superlotação no Hospital Regional de Presidente Prudente

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio da Promotoria Regional de Saúde, instaurou investigação para apurar a superlotação no Hospital Regional (HR) de Presidente Prudente (SP). A unidade, referência em média e alta complexidades para 45 municípios da região, apresenta pacientes acomodados em macas nos corredores, situação que foi denunciada à TV TEM e confirmada pelo Departamento Regional de Saúde (DRS) no último sábado (25).

Alta ocupação e causas

O DRS atribuiu a alta taxa de ocupação ao aumento sazonal de casos de doenças respiratórias, que ocorre entre março e julho. Em nota, o órgão afirmou que “em decorrência da sazonalidade dos vírus respiratórios, há aumento da demanda por atendimento nos serviços de urgência e emergência, o que pode ocasionar, pontualmente, maior ocupação da unidade”. O MP-SP informou que pretende atuar junto à Secretaria de Estado da Saúde para abrir leitos em outros hospitais da região.

Resposta do Hospital Regional

O Hospital Regional de Presidente Prudente, em nota, declarou que acolhe todos os pacientes que procuram a unidade, realizando o atendimento conforme critérios assistenciais e classificação de risco. Dessa forma, os casos de maior gravidade têm prioridade e são encaminhados aos leitos de acordo com a necessidade clínica. A unidade também informou que implantou o sistema de triagem fast track, que permite identificar com mais agilidade pacientes de demanda espontânea, especialmente aqueles com quadros de menor complexidade e baixo risco.

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Orientações do DRS e Conselho Municipal

O DRS orientou que, nos casos leves, a população procure os serviços de atenção básica e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). O Conselho Municipal de Saúde (CMS) comunicou que recebeu reclamações recentes sobre a lotação e orientou os pacientes a procurarem o Ministério Público. “A orientação do Conselho aos pacientes é procurar o Ministério Público e informar que uma manifestação também foi protocolada junto ao DRS recentemente”, afirmou. O CMS destacou que a situação é alvo de cobranças “há muitos anos” e que já levou a demanda ao governo estadual, mas ressalta que não tem poder para fiscalizar diretamente a gestão do HR, por ser um órgão municipal.

Impacto nas UPAs da cidade

A falta de leitos no Hospital Regional impacta diretamente as UPAs de Presidente Prudente. Segundo o Consórcio Intermunicipal do Oeste Paulista (CIOP), que faz a gestão compartilhada das unidades, até esta segunda-feira (27), 24 pacientes aguardavam transferência nas duas UPAs da cidade. Desses, seis já tiveram vagas disponibilizadas e serão transferidos em breve. O tempo de espera para liberação de leitos varia entre um e sete dias. O CIOP ressaltou que a função principal das UPAs é o atendimento de urgência e emergência, com foco na estabilização inicial e posterior encaminhamento. “Durante todo o período em que aguardam a regulação pelo sistema Cross, os pacientes continuam recebendo assistência integral e acompanhamento contínuo da equipe multiprofissional”, completou a nota.

Relatos de pacientes e familiares

Uma denúncia encaminhada à TV TEM apontou que pacientes estão em macas nos corredores, sem condições adequadas de internação. A família de um paciente afirmou que, apesar de ele ter sido transferido do corredor para um quarto na última sexta-feira (24), a unidade continua acima da capacidade, com pacientes nos corredores e dificuldades para exames. O paciente realizou ressonância magnética, mas aguarda endoscopia com biópsia para investigar possível tumor e um segundo exame para cálculos na vesícula. A demora é atribuída à fila de espera e, eventualmente, a problemas nos equipamentos. A denúncia também relata falta de profissionais de enfermagem: em um plantão, faltaram vários auxiliares e técnicos, deixando poucos profissionais para muitos pacientes.

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